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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Chantagem emocional! Você resiste?









O choro!
Tal dificil escutar o choro de um filho!
Nos dá uma aflição, um desejo de fazer parar.
Quando o choro é de dor ou sofrimento este desejo é real.
Mas quando o choro é uma chantagem emocional?
Quando ele é usado pela criança como ferramenta para conseguir passar dos limites estabelecidos?
Você consegue controlar sua aflição?
Devia!
Está é a maneira mais simples da criança reagir a imposição de limites. De demonstrar sua frustração.
E aqui está a maior armadilha para os pais, como não se deixar abalar por aquela carinha de sofrimento.
Aos quatro anos a criança além de chorar verbaliza frases que nos fazem morrer, tipo:
- Estou triste com você!
- Não gosto mais de você!
-Você não gosta de mim!
E aí?
Você consegue segurar a onda, possui certeza de seus valores e amor para não se deixar levar?
Chantagem emocional!
Este é sua maior prova na educação do filho, precisa estar convicto que sua decisão foi acertada.
Não cair nesta armadilha envolve sua personalidade. Pessoas inseguras serão pais que cairão facilmente.
Nossas crianças não são mais bobinhas, agora repetem frases fortes e argumentam.
Se prepare para esta imensa aventura na educação de filhos, com orientações se necessário for!
Fique atento! Se você criar seu filho onde ele aprende a te manipular, você estará formando uma personalidade manipuladora!
E mais, quem admira alguém que manipula?
Seus pais, eram pessoas que conseguiram seu respeito com você manipulando?
Não! Amamos quem admiramos! E não quem manipulamos!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Dieta Cetogênica





 

A Dieta Cetogênica força o nosso organismo a retirar da gordura a fonte de energia para seu funcionamento.
O açúcar é retirado totalmente, se houver açúcar nosso organismo vai preferi-lo como fonte de energia. Substituímos por adoçante!
Os carboidratos são reduzidos, portanto pães, massas e biscoitos não fazem parte da dieta.
São oferecidos  alimentos ricos em gordura como fonte de energia. Parece estranho, mas o cérebro funciona muito bem com a gordura como fonte de energia.
Essa dieta não é balanceada, e nem saudável para vários órgãos.
É dieta tratamento! Queremos o efeito anti convulsivo!
Por isso temos que realizar exames pré-dieta para saber se o paciente pode fazer uso desse tratamento.
Durante a dieta esse exames serão  repetidos, para se avaliar principalmente o nível de colesterol sanguíneo e suas consequências.

Por incrível que pareça não observamos grandes aumentos de peso, mesmo tendo como “alimentos chaves” o toucinho, bacon, ovos, maionese e creme de leite.

A adesão ao tratamento é peça fundamental, pois a família tende a ceder aos desejos da criança.
Os alimentos serão calculados, a sua quantidade será pesada  a cada refeição.
Usamos balança digital para conseguir a precisão necessária.
O objetivo da dieta é conseguir que o organismo produza uma substância chamada corpos cetônicos.
Todos nós produzimos corpos cetônicos quando fazemos jejum,  para realizar exames de sangue de rotina.
E esse era o mecanismo  que jejum prolongado  ( do passado ) fazia tão bem aos pacientes portadores de crises convulsivas.

A Dieta Cetogênica tenta manter o paciente em produção continua de corpos cetônicos e com isso o efeito duradouro, obtido por este mecanismo.

Quando conseguimos o controle das crises com a dieta, mantemos o paciente na dieta por cerca de 2 anos.
Neste período se faz de forma gradual a retirada dos medicamentos anticonvulsivantes, desnecessários já que o paciente está sem crises.

A Dieta será seu remédio!

O melhor do tratamento é que após a retirada da dieta a grande maioria dos pacientes se mantém com suas crises controladas. Quando necessário o retorno de anticonvulsivantes sempre acontece  em menor quantidade em relação ao passado.

Existem algumas doenças do metabolismo em que a Dieta Cetogênica será o tratamento mais indicado.

Devido à dificuldade técnica da prescrição e da adesão ao tratamento ainda fazemos muito pouco Dieta Cetogênica.

A minha intenção com esse tema é informar, não indicar a dieta como tratamento.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Cuidados com brinquedos!





Quando a criança começa a rolar e engatinhar, é 

importante que lhe seja dado espaço!

Precisa ir para o chão com brinquedos adequados para essa fase.

A brincadeira dessa fase será pegar um brinquedo levá-lo a boca, depois jogá-lo e pegar novamente.
Nesta fase o brinquedo adequado é muito simples, peças grandes de plástico, ocos (para serem leves) e coloridos.
Se a mãe é muito preocupada com a limpeza, compre tapetes de EVA ou mesmo folhas de EVA para cobrir o chão.

A criança precisa dessa brincadeira, o cercado não permite essa movimentação adequada.
Quando a criança começa a engatinhar ela mesmo te pede espaço, quer descobrir.

Cuidado com brinquedos pequenos, devido o risco da criança engolir.
Cuidado com brinquedos pesados, pois a criança não tem coordenação e pode se chocar contra o brinquedo.
Cuidado com o local para a criança engatinhar, ele deve ser definido pelo responsável.
Não pode haver tomadas descobertas, mesas com toalha,  prateleiras de vidro.

Há muitos anos atrás fui a casa de uma família muito humilde e me deparei com uma cena que nunca esqueci.
A senhora dona da casa, era costureira e tomava conta do netinho de 10 meses.
Ela improvisou um local adequado para o neto com o que tinha em casa, achei muito criativo e inteligente.
Olhem só!
Ela virou os sofás da casa contra duas paredes, um canto da sala.
Com isso improvisou um grande quadrado, e colocou dentro um colchão de casal!
Assim ela delimitou o espaço do neto, com segurança. Colocou vários brinquedos neste colchão.
Ela posicionou sua máquina de costura numa distância que observava a criança, mas trabalhava ao mesmo tempo.
O interessante da ideia, a criança estava segura e não estava confinada.
O problema do cercadinho é o confinamento, espaço minimo!
Não permite o engatinhar.
Dependendo do poder aquisitivo da família muda a maneira de  propiciar o espaço adequado para nossos filhos.
 Eu subi todas as tomadas do quarto de meus filhos, reforma simples!
O quarto não possuía armários, pois existia um closet em anexo, com isso não havia gavetas!
Gavetas de cômodas podem ser puxadas pelas crianças e acabam caindo sobre as mesmas.
Nesta decoração o menos vale mais!
Se possível apenas berço, cama da babá de móveis.
Pinte as paredes, coloque móbiles, tudo suspenso.
Lembrem que normalmente o quarto será o local onde a criança deveria ter liberdade para ficar sem riscos.


Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra




segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Efeitos colaterais das medicações!








No meu dia a dia é comum ter que explicar muito sobre efeitos colaterais das medicações.
Os pais possuem muito medo dos efeitos colaterais das medicações usadas na neurologia.

Não vejo ninguém preocupado com o uso das medicações da pediatria, como os antibióticos e anti-inflamatórios.
Mas na neurologia é um desastre. Ficou subentendido que as medicações usadas na neurologia fazem mal a saúde.
Gostaria de tentar corrigir um pouco essa ideia.

Qualquer medicação possui efeitos colaterais possíveis, qualquer uma! Até mesmo o seu inofensivo antitérmico!
Efeito colateral possível, não quer dizer que ele vai existir!
Quando se usa medicação prescrita pelo médico de forma regular e com dose calculada já se diminui o risco dos efeitos colaterais aparecerem.
Na auto medicação é muito mais comum o aparecimento dos efeitos colaterais.

Na neurologia temos efeitos colaterais possíveis em todos os remédios usados. Como em qualquer outra especialidade.
Estatisticamente não existe essa frequência elevada como a população acredita.
O que acontece na neurologia é que o uso das medicações é feito de forma continua, por períodos prolongados o que facilita a ocorrência de efeitos colaterais.
Quando se usa medicação de forma crônica, como anti-hipertensivo também existe a ocorrência maior de efeitos colaterais. Isso não é privilégio das medicações da neurologia.

Esclarecendo esse ponto passamos para outro:

Quando existe um efeito colateral da medicação, precisamos avaliar se esse efeito colateral é importante o suficiente para inviabilizar o uso da medicação.
Às vezes conseguimos manter a medicação mesmo em vigência de um efeito colateral.
Vou citar alguns efeitos colaterais comuns de forma aleatória apenas para ilustrar.
Podemos ter queda de cabelo com o uso de acido valpróico, se a queda for pequena e discreta podemos até manter a medicação.
Mas é evidente que quedas grandes, onde ficam áreas rarefeitas no couro cabeludo com prejuízo estético são indicativas de troca de medicação.

Existem efeitos colaterais transitórios:
Como a sonolência do inicio do tratamento com anticonvulsivantes. Na grande maioria dos casos a sonolência some na segunda semana da medicação.

Outro efeito colateral possível e na maioria das vezes driblado é a queda do apetite que ocorre com o uso de metilfenidato (medicação usada para tratamento de TDAH).  Podemos driblar com o uso descontinuado nos finais de semana e férias.
Mas encontro a perda de apetite sem queda do peso na maioria dos pacientes. Acompanho o peso no gráfico.
É muito comum a mãe queixar dessa perda de apetite, mas ao visualizar o gráfico de peso não há perda de peso e nem mudança na  a curva de crescimento. O que existe é a escolha do alimento por parte da criança!
Porém se a perda de peso existir, com queda na curva do crescimento e prejuízo do estado nutricional da criança, devemos retirar a medicação.


O que quero esclarecer com esse texto é que efeitos colaterais são possíveis, mas não são certos! Queremos o efeito terapêutico quando prescrevemos uma medicação, caso ocorra um efeito colateral vamos avaliar se este inviabiliza ou não nossa medicação prescrita.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Entendendo a Epilepsia- II






Como já foi dito, existem diversos tipos de epilepsia.
Essa palavra não se resume a um único padrão, existem diversos tipos com evolução e prognóstico diferentes.
A grande maioria das epilepsias possui fácil controle das crises, um número pequeno estatisticamente será classificado como “epilepsias refratárias
.
Como esse assunto é muito vasto, vou dividi-lo para facilitar os esclarecimentos.

Vamos falar do tipo mais comum na infância, as Epilepsias Benignas da Infância.
Esse grupo de epilepsias acontece em crianças com desenvolvimento normal.
São crianças normais que assustam seus pais, pois sem aviso apresentam uma crise convulsiva.
Normalmente ao chegar ao pronto socorro a crise já cedeu. A criança é avaliada e após exames clínicos e laboratórias gerais é liberada com a orientação de procurar um neurologista.

Liberada???

Essa situação gera pânico, um grau de insegurança imenso, pois a crise convulsiva é um evento que choca a população.
Justamente por isso temos imensos equívocos e distorções sobre essa doença e seus portadores. Vários pacientes convivem com o preconceito.

Neste grupo de epilepsias a causa na maioria das vezes é genética, herdada.
Mas a família quer  achar um culpado. 
O que não se sabe, se inventa!
Dai surgem vários mitos sobre a causa da crise, a família relaciona com algo que a criança comeu ou uma variação brusca de temperatura sofrida.
Esses são os mitos mais frequentes na minha região.
Isso acontece pela necessidade de se responder a pergunta, por quê ?
Por que ela teve isso Dra.?

A resposta na verdade não é visível e por isso não aceita tão facilmente.
Costumo explicar a família que a criança muda durante o crescimento, muda seu rosto, muda a boca, os olhos. Não cresce com o mesmo rosto que nasceu, muda e não tem por quê!
As feições mudam o que facilmente se observa, entendam existem mudanças internas. 

A criança está crescendo, se desenvolvendo e seu cérebro também.
Suas ondas cerebrais podem durante esse desenvolvimento apresentar alterações, alterações estas  que provocam crises convulsivas.
Quem causa a crise é a alteração de um grupo de ondas cerebrais.
Neste grupo de paciente não existe alterações nos exames de imagem, tomografia ou ressonância.

Nestes casos de epilepsias benignas, as crianças costumam ter histórias de parentes que também tiveram crises na infância, mas que hoje são adultos normais.
Mas pelo preconceito com a doença, as pessoas que tiveram crises na infância não falam, não comentam, escondem esse fato.
O que impede a confirmação de história familiar positiva para epilepsia.

Foi dado o "sobrenome" benigna, a esse tipo de epilepsia, por que o curso da doença costuma ser benigno. Não deixando sequelas e podendo ser retirada a medicação no futuro sem o retorno das crises.
Durante o tratamento a criança vai usar medicação escolhida pelo neurologista e calculada pelo seu peso. É necessário acompanhamento regular com o neurologista, pois ajuste de doses são frequentes na faixa etária pediátrica.
Essa medicação terá horários fixos, que precisam ser obedecidos. Por isso esse tratamento leva consigo uma carga emocional forte, medicação controlada.

Não haverá tratamento curto, de dias ou meses. Será tratamento de anos, no mínimo 3 anos.
Mas essa criança será a mesma, continuará sua vida normalmente na escola e na sua  casa. Seu filho não terá sequelas, então encare o tratamento como algo bom, positivo.
Não dê um peso maior do que o já existente.

Ajude a desmistificar a doença, e o seu tratamento.
Todos nós podemos contribuir para um mundo melhor, sem preconceitos.

É possível viver bem com epilepsia!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Crises febris X Crise em vigência de febre



 


Existe muita diferença entre convulsão febril e convulsão em vigência de febre.
Na convulsão febril, a febre é considerada a causa da convulsão. Só acontece em crianças menores de 5 anos. Isso porque nesta idade o sistema nervoso ainda é considerado imaturo.
Nestas crianças realizamos o EEG para confirmar nossa hipótese, e o EEG é normal. Confirmando que a febre causou a crise convulsiva.
Tipicamente as crises convulsivas são generalizadas e rápidas, além de não se repetirem no mesmo dia.
Quando demoradas ou focais são monitoradas com mais cuidado pelo neurologista por estar fugindo ao padrão típico da crise febril.
Já qualquer criança ou adulto que possua epilepsia em seus diversos tipos pode ter crise no momento da febre, ou seja, crise em vigência de febre.
A febre aqui não causou a crise convulsiva, apenas desencadeou o que já existia.
Descompensou o quadro da epilepsia.
E isso é muito comum, durante quadro febril nosso organismo sofre mudança no seu metabolismo. Perdemos a fome, aumentamos a sensação de sede, existe um aumento de diversas substâncias, além de anticorpos e imunoglobulinas. 
Uma verdadeira revolução que pode mudar o metabolismo das drogas usadas para o controle de crises.
Neste caso a crise terá as características da epilepsia que a criança já possui, o EEG apresenta as alterações da epilepsia em questão.
Nas crises febris a criança normalmente não possui atrasos, pois o motivo da crise se relaciona com a imaturidade do sistema nervoso próprio da idade.
As crises são rápidas e não se repetem facilmente, o que também favorece o curso benigno.
Existem casos de crises febris complicadas, demoradas e até evoluindo para status, mas não é a regra, é exceção.
Tratamos as crises febris exatamente pelo risco de que a repetição delas possa causar prejuízo e aumento da probabilidade de casos de epilepsia no decorre da vida.
Já existem trabalhos relacionando a Esclerose Mesial Temporal com história de crises febris, por isso o uso de tratamento contínuo ou intermitente nas convulsões febris.

Já nas epilepsias por haver um número muito grande de tipos, podemos ter ou não atrasos de fala e cognição. 
E esses atrasos são variáveis, de individuo para individuo e se relacionam na maioria das vezes com a repetição das crises, o número de crises que esta criança teve.

A crise na vigência de febre pode acontecer em qualquer idade, até mesmo em adultos que já possuam o diagnóstico de epilepsia. Não se relaciona com imaturidade do sistema nervoso e sim com a mudança do metabolismo do organismo e das drogas em uso.

Portanto torna-se vital o controle rigoroso da febre em pacientes portadores de epilepsia, por este ser um fator desencadeante de crises.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Acidentes Domésticos!



 



Nós devemos analisar os locais aonde permitimos a presença de nossos filhos.
Os acidentes domésticos são os maiores causadores de queimaduras, choques elétricos e fraturas diversas.
Existem perigos espalhados pela casa e, portanto a criança não deveria ter livre acesso.
Cozinha é o local que normalmente encontramos o maior risco, por isso aconselho o uso de portões de segurança.
São tantos os riscos que não temos condição de eliminá-los.
Não deve ser permitida a entrada de crianças.
Depois do acidente não adianta lamentar e sim conviver com as sequelas para o resto da vida.
Infelizmente atendo crianças vitimas de acidentes banais, porém com consequências para a vida toda.
Pareço pessimista, mas a dor de uma mãe que tinha seu filho normal e que agora vai conviver com restrições é imensa.

Vou dar dicas para vocês reduzirem o risco dentro do ambiente domiciliar.

Tomadas! No quarto da criança aconselho chamar um eletricista e subir as tomadas. O quarto da criança deve ser seguro, lá ele deve passar bom tempo do dia.
A TV com DVD poderá ficar ligada se a tomada for elevada!

Os celulares necessitam ser carregados frequentemente, escolha a tomada para esse fim.  Dê preferência as da cozinha, aonde a criança não entrará.
Os protetores de tomada devem ser usados sim, mas é comum  esquecer de recolocá-los após o uso das tomadas. E ainda existem crianças que brincam de arrancar. 

Se houver armários ou gavetas no quarto da criança essas deverão ter chaves e se manterem fechadas. A criança vai tentar abrir portas e puxar gavetas, descobrir como funciona. O peso desses objetos normalmente é elevado, podendo esmagar mãos tão pequenas.

Brinquedos bons são brinquedos seguros!
Nada de pirataria perto do seu filho, ele é seu bem mais precioso.
Não pode haver peças pequenas para serem engolidas e nem pesadas para poder provocar traumas.

Cuidado com baldes, a criança é curiosa. Ela vá tentar olhar e facilmente cai dentro do balde. Só precisamos de 2-3 dedos de líquidos para um afogamento.
Material de limpeza não pode ser esquecido no chão, sempre guardar em local elevado logo após o uso.

Em nossa região o uso da rede é cultural, desaconselhável por vários motivos.
Em bebês deforma a caixa craniana por vício de postura, além de ser grande causadora de diversos acidentes.
Se o bebê é pequeno pode não ser percebido, pessoas que vão passar elevam a rede e a criança é lançada ao ar.
Quando ficam  pouco maiores por já possuírem alguma autonomia podem se debruçar na borda e virar.
Não gosto da rede em crianças, mas se vocês gostam usem com segurança. 
Coloquem colchão embaixo da rede e essa bem baixa, um palmo do chão.

Usem os cintos de seguranças de bebês confortos e cadeirinhas, o nome já diz cinto de segurança! 

Alimentos! Quando ainda não existe uma função perfeita de mastigação e deglutição pode haver sufocamento com alguns alimentos, como uvas, azeitonas, milho e ervilha.
Não é seguro dar esse tipo de alimento a crianças pequenas, se houver engasgos podem ir parar na traqueia e no pulmão. Causam asfixia, obstruem a passagem do ar!


Não podemos evitar tudo, pois sempre haverá o improvável. 
Mas a grande maioria dos acidentes é evitável, basta olhar o ambiente com os olhos de quem protege seu maior bem!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Aprender por imitação!






Aprender por imitação, esse é o mecanismo usado pelas crianças.
Elas imitam os pais e as outras crianças.
É uma forma simples de aprender, de experimentar o novo.
Muito comum a criança querer usar os sapatos da mãe, passar o batom, fazer a barba e etc...
O que não é muito compreendido é a força que esse mecanismo possui.
Os pais vão passar um modelo de ser, e podem não estar preparados para tanto.
Seus filhos são espelho de você!
Eles copiaram de você a grande maioria dos comportamentos, reações.
Tenham cuidado com o que ensinam.
Os pais devem ser a fonte de ensinamentos, o porto seguro, o colo nos momentos de fragilidade, a mão carinhosa. Mas também devem ser o leme desse barco a vela, devem guiar, não deixar o barco ir embora ao sabor do vento.
Às vezes precisamos segurar forte esse leme para mantê-lo na direção correta, as crianças precisam desse rumo. Elas não sabem por onde ir, se você deixar solto vão se perder.
A escola realiza um estimulo formidável, devido suas características.
A criança frequenta a mesma sala e encontra todos os dias as mesmas crianças, e essas crianças possuem a mesma idade.
Em nenhum outo local vamos ter facilmente essa situação.
O processo de imitação será realizado entre elas, todas serão beneficiadas.
 Uma estimula a outra!
Se uma criança está com atraso motor, de linguagem ou de socialização, a escola é remédio.
Melhor estímulo para uma criança é outra criança, o adulto brinca com a criança com cabeça de adulto. Já possui o conhecimento da brincadeira, não está descobrindo.
A criança aprende a brincar, brincando. Descobrindo o brinquedo, e as possibilidades.
Esse processo de descoberta é o mais importante, do que o próprio brinquedo.
Os DVDs infantis podem ser usados em alguns momentos, não sou contra!
O problema está em achar que o DVD é o melhor estimulo para a criança, isso não!
O melhor estimulo é a descoberta, descobrir sabores, sons, consistências.
 Descobrir o mundo!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Perda de fôlego!



 


A perda de fôlego é muito comum em crianças pequenas, levando os pais ao desespero.
Sempre precedida pelo choro, podendo ser choro banal.
A criança para de chorar, o som do choro some!
Por consequência vai se tornando pálida, ficando molinha podendo ficar roxa,desmaiar e até mesmo convulsionar.
Novamente a imaturidade do cérebro é a causa, a criança precisa coordenar a respiração mesmo durante o choro. É necessário pausas respiratórias para permanecer chorando.
O correto neste momento é realizar manobra especifica para o rebaixamento do diafragma.
A população costuma soprar o nariz, colocar a criança de cabeça para baixo e até mesmo dar umas palmadas.
Pode resolver, porque qualquer coisa que assuste a criança pode fazer ele pegar novo fôlego.
Na maioria dos casos solicito o EEG para descartar a possibilidade de crises convulsivas.
Na perda de fôlego o EEG é normal.
Existe a possibilidade de um fator emocional prolongar os eventos, pois crianças maiores não possuem justificativa para a perda de fôlego.
A necessidade de medicação é quase nula, mas já tive casos onde os episódios eram tão constantes que realizei Video -EEG.
O indicado é a manobra de rebaixamento do diafragma no momento da perda de fôlego.
Na manobra se realiza pressão positiva ( aperta-se) como num abraço a criança, porém na altura da divisão do tórax para o abdômen.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

sábado, 21 de novembro de 2015

O engatinhar!


 

Para mim a fase motora mais importante é o engatinhar.
As mães não valorizam muito essa fase, até consideram que a não realização é sinônimo de precocidade.
Muitas falam que a criança não engatinhou, se levantou e andou. Falam com orgulho como se fosse sinal de sucesso
 Pular uma fase do desenvolvimento nunca pode ser sinônimo de sucesso.
Todas as fases são importantes.
E o engatinhar no desenvolvimento motor é o mais importante de todas.
Se a criança engatinha corretamente é certo a aquisição de uma marcha estável e ágil.
No engatinhar vamos adquirir a sensação de espaço corporal e a coordenação motora.
É necessário a troca sincronizada dos membros superiores com os inferiores, para o engatinhar tipico.
A criança pode começar o engatinhar de forma atípica, de bunda, para trás ou esquecendo uma perna.
Isso deve ser corrigido, pois distorções do espaço corporal podem ser levadas para o andar.
Existem técnicas onde colocam-se meias com guizos nos pés, pois ao movimentar o som dos guizos serve de estímulo, vira uma brincadeira.
Criança que não exerce essa fase, costuma andar com quedas frequentes, pois ao acelerar o passo não possui a coordenação suficiente para tanto.
No engatinhar o peso corporal está distribuído em 4 pontos, e será transportado para 2 pontos de forma progressiva.
Esse mecanismo evita as deformidades ósseas das pernas, comum com o uso de "anda já."
Se o osso não estiver cálcio suficiente para suportar o peso do corpo, o resultado é vergar.
Com uma ano, idade média para a aquisição da marcha, a criança ainda não possui o reflexo de se  proteger com as mãos durante uma queda.
 O resultado são "galos" na testa, inevitáveis desta fase.
O engatinhar adequado torna a queda ao solo menos frequente, durante o inicio da marcha.
Portanto, a família deve estimular o engatinhar.
Dar espaço para a criança buscar os brinquedos, se erguer com apoio.
Objetos tão usados no passado como "anda já" e "cercadinho", não são mais indicados.
O "anda já" porque ensina a criança a andar sentado, força a suportar o peso corporal de forma precoce, além do risco elevado de acidentes. As rodinhas podem provocar acidentes de consequências graves, por capotamento.
O "cercadinho" por ser muito pequeno, só permite que a criança fique sentada ou em pé, não permite o engatinhar.
Acreditem quem engatinha com qualidade, vai andar com segurança.

                                                                                      Dra. Cristine Aguiar
                                                                                              Neuropediatra

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O desenvolvimento do paladar!



 


A criança em relação à sabores é um livro em branco, você vai formar sua memória.
A família ao oferecer alimentos variados e saudáveis formará um adulto com bons hábitos.
Nós todos sabemos o que não é saudável, o que comemos por sabor, porém sem valor nutricional.

A criança vai escolher seu alimento pelo paladar, esse paladar será formado pela memória dos alimentos oferecidos.
Caso você inicie uma alimentação saudável, seu filho vai adquirir o paladar para estes alimentos.

Porém se você forneceu a uma criança a opção de tomar refrigerante, é natural que ele desenvolva esse paladar.
Que ele goste de refrigerante!

Esse fato é bem reconhecido quando examinamos as regiões e seus alimentos típicos.
Cada região do Brasil tem seus hábitos alimentares, peculiaridades. Naturalmente esse alimento típico será oferecido e seu paladar desenvolvido.
Normal a criança do Norte tomar açaí na mamadeira.

Não estou falando como nutricionista, e sim como neurologista.
As papilas gustativas possuem características e seu desenvolvimento a partir do nascimento segue uma evolução.
Ao estimular uma categoria de papilas, essas aumentam o seu número e por consequência sua aceitação ao alimento inicial.
Por isso falo que a memória de sabores é um livro em branco, os alimentos oferecidos ao bebê vão estimular papilas específicas para aqueles sabores.
Essas vão se proliferar em número, transformando esse paladar.
Ao sermos apresentados a um novo sabor, inicialmente rejeitamos.
Se esse sabor for repetido as papilas gustativas para ele serão estimuladas, com algum tempo consideramos esse sabor com agradável.
Até aqui falamos sobre o desenvolvimento do paladar, de papilas gustativas para a aceitação de alimentos.

Agora vamos analisar o peso emocional da alimentação, a relação alimento-afeto.
O alimento, tem um peso emocional para as mães, existe satisfação em oferecer algo que dá prazer a criança.
Isso atrapalha a orientação da alimentação saudável, a mãe tem a necessidade que a criança aceite o alimento por ela oferecido.
Se a criança rejeita, ela troca o alimento. Fecha as portas para o alimento inicial!
Com isso permite que a criança exerça a função de escolhas dos alimentos que vai consumir.
Aqui está a base para os erros alimentares na infância.
A criança precisa aceitar prontamente todos os alimentos oferecidos?
O que ela nunca provou?
Crianças pequenas não deveriam ter escolhas. Estão numa fase onde serão ensinadas a comer. Ensinar é um processo.
É necessário tempo, persistência e paciência par ensinar qualquer coisa.
Se a criança pode escolher, trocar o alimento este processo é interrompido.
Aos 3 anos essa é a maior queixa das mães. "Meu filho não come nada!"
Ele não come nada que ela quer, e come tudo que ele quer.
Com a preocupação da criança não ficar com fome, a mãe dá o alimento que a criança aceita bem no lugar da refeição que não foi aceita.
Olha só a confusão!
A mãe quer seu filho bem alimentado, porém não suporta a ideia de rejeição. Não aceita o dia com apetite reduzido, isso gera uma ansiedade enorme.
Resolve a situação oferecendo um alimento já bem aceito. Resolveu o problema imediato.
A criança está alimentada!

Educação alimentar é tão difícil quanto a educação propriamente dita.
Temos que impor limites, exercer nosso papel de responsáveis.
Aceitar os períodos de menor aceitação alimentar como normais, e não pessoais.
Estabelecer o cardápio da criança, os horários e não permitir trocas. Caso não aceite o alimento do horário, aceitará o do próximo horário.
Se já possui um erro alimentar, deveria ser corrigido para o bem dele.

A correção é complicada, muito choro, muita birra!
Portanto é  melhor  começar a escrever esse livro em branco!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Crise Generalizada X Crise Focal




O neuropediatra ao atender uma criança
 com crises convulsivas vai escolher o melhor tratamento, a melhor medicação.
Existem diversas medicações no mercado, precisamos escolher a melhor para este paciente.
Um remédio que controla muito bem as crises de um, pode ser péssimo para um outro paciente.
Não existe um remédio ótimo para todos, e nem um péssimo para todos.
E por que o médico escolheu este remédio?
O neurologista leva em conta diversas informações para decidir a sua prescrição.
Levamos em conta a idade, o tipo de crise e EEG inicialmente.
Idade porque alguns medicamentos não são bem absorvidos por crianças pequenas e portanto não será um boa opção.
O tipo de crise é fundamental, todos os remédios já foram estudados. Seu funcionamento e que tipo de crise ele tem sua melhor ação.

Os tipos de crise são divididos em generalizada e focal.

Generalizada quando todo o cerébro é envolvido no momento da crise, a convulsão mais conhecida é generalizada. Quando o paciente perde a consciência e apresenta movimentos pelo corpo inteiro.
Nesta crise o paciente pode perder a urina e apresentar respiração forçada, o que normalmente produz secreção que escorre da boca.

Focal ou parcial, apenas uma parte do cerébro será envolvida. Pode ser vista quando o paciente apresenta movimentos apenas num lado do corpo. Nestes casos o paciente não perde completamente a consciência, e pode lembrar da crise. Pode falar, porém a voz sai de forma arrastada e lenta.

A crise convulsiva de ausência, que foi motivo do último texto, é classificada como generalizada.

Muitas vezes o neurologista precisa da filmagem da crise para analisar e classificar a crise.
É muito comum a crise começar focal e depois se tornar generalizada. Mas para a escolha do remédio é importante saber como começa a crise.
Algumas crises são bem fáceis de se classificar, outras tão dificeis que revemos as filmagem diversas vezes. Uma verdadeira investigação.

O exame de  EEG evoluiu e há algum tempo já existe a opção de realizar um video- EEG, ou seja um EEG filmado. Ele vai documentar a imagem e as ondas cerebrais momento a momento.
Assim elucidamos muitas vezes dúvidas sobre se é ou não crise.

A grande maioria dos paciente possui apenas um tipo de crise, mas muitos paciente possuem vários tipos de crise.
Inicialmente vamos começar com um remédio para controlar as crises, mas não obtendo sucesso as associações vão sendo realizadas.
 Nossos maiores desafios serão os casos que consideramos epilepsia refratária.
Aqui o paciente vai apresentar vários tipos de crise e não responde adequadamente aos remédios. Usam vários remédios e em doses elevadas sem o controle total das crises.

Crise convulsiva não faz bem, é claro!
 Paciente com crises de repetição apresentam atrasos cognitivos.
Uma sequência de ajustes, trocas de medicações, além de tratamentos não medicamentosos serão usados para o controle das crises.
O objetivo maior é oferecer ao paciente a melhor qualidade de vida, pois o que todos queremos é ser feliz!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra







segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Convulsão Febril






Crise convulsiva febril é um tema simples mas acho que de grande interesse à todos os pais.
O ser humano possui controle de sua temperatura, o cérebro exerce essa função. Nossa temperatura corporal fica em torno dos 36C.
A criança ao nascer não possui várias funções cerebrais adequadas, inclusive o controle da temperatura corporal.
Aqui no Ceará recém nascido usa luvas e sapatinhos, vive empacotado.
 Ao crescer vai sendo desnecessário esses acessórios.
Mas ao ficar com febre os pais percebem que a cabeça fica muito quente mas outras partes do corpo não.
Fato comum, pois o aumento da temperatura não é bem distribuído pelo corpo, deixando partes quentes, e outras até frias.
Exatamente por essa má distribuição do aumento da temperatura as crianças podem apresentar as crises ou convulsões febris.
Ocorre em crianças pequenas, menores de 5 anos.
Aos 5 anos o cérebro já possui essa função amadurecida.
Alguns pais acham que a convulsão acontece apenas com febre alta, isso é um engano pode ocorrer com febre baixa se houver uma variação rápida da temperatura.
Todas as crianças pequenas poderiam pela imaturidade do sistema nervoso apresentar crises na vigência de febre, porém o que vemos são vários casos em algumas  famílias. A predisposição genética de algumas famílias é bem marcante.
O neuropediatra deverá solicitar o EEG, que neste caso deverá ser normal. Para confirmar a convulsão febril.
Alterações no EEG já nos direciona para outro diagnóstico.
O EEG deve ser realizado após uns alguns dias da crise, não deve ser realizado muito próximo a crise.
Mesmo a crise sendo febril deverá ser tratada, comumente após 3 crise rápidas e em episódios diferentes orientamos medicação.
Ou seja, mesmo com EEG normal a criança muitas vezes necessita fazer uso da medicação.
Isso porque a repetição de crises mesmo que febris pode prejudicar a criança e devemos evitar danos cerebrais sempre que possível.
Colocamos o tratamento medicamentoso de duas formas: continuo ou intermitente.
Continuo: a criança faz uso de medicação de horário todos os dias, quando ficar doente por já fazer uso da medicação, já está protegida. Desvantagem importante neste caso é que a criança usa medicação durante períodos afebris onde não iria ter crises e por isso não necessitava da proteção.
Intermitente: a criança faz uso da medicação nos períodos de doenças, inicia a medicação nos primeiros sintomas. É necessário ter iniciado a medicação antes do aparecimento da febre. Possui a vantagem de só fazer uso da medicação nos períodos onde correria o risco de ter crise febril. Desvantagem é que se a febre for o primeiro sinal da doença, a criança não iniciou a medicação e portanto não está protegida de crises.
Seu neuropediatra vai escolher qual a melhor opção de tratamento analisando caso a caso.
Não podemos esquecer que todas as mães devem fazer uso de termômetro e não do tato para verificar se a criança está com febre.
Usar o antitérmico  em dose adequada ao peso da criança e lembrar que ao administrar a medicação antitérmica por via oral o tempo para o inicio do seu efeito é variável.
A medicação feita por via oral só iniciará seu efeito ao ser absorvida, se a criança estiver alimentada esse tempo de absorção aumenta.
Por este motivo orientamos o uso de meios físicos, água!
O álcool muito usado no passado não deve ser usado, por ser muito volátil. A criança inala muito o que pode provocar efeitos indesejados e prejudiciais a saúde.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Recusa ao remédio!




A criança não é responsável por seus atos!
Não tem a menor ideia para que serve um remédio, ou um tratamento.
Normalmente come o que gosta e recusa o que não gosta, simples assim.
Se gostar do gosto do remédio toma, se não gosta não quer tomar.
Precisamos ponderar alguns pontos aqui.
Primeiro, a criança não pode decidir um tratamento e não pode ser responsabilizada pela ausência de medicação.
Deve ser informada com jeito pelos pais sobre o tratamento, que o remédio é para ela melhorar.
Mas os pais não podem esperar o consentimento da criança para instituir um tratamento.
 Na neurologia lidamos com doenças graves, que deixam sequelas para uma vida toda se não tratadas adequadamente.
A recusa no uso de medicação não é incomum, gera um drama familiar!
Vivemos um momento onde as crianças estão se impondo cada vez mais, querem ditar as normas, impor seus horários. Um verdadeira inversão de valores.
Nesta situação os pais devem comunicar a recusa ao médico, e devem ser por ele alertados dos danos a saúde da criança pela ausência da medicação.
Deixem as crianças serem crianças, com problemas de crianças.
Assumam o papel de responsáveis. Os pais devem se preocupar com horários, em levar a medicação numa viagem.
Caso a criança colabore ótimo, maravilha!
Mas não podemos contar com isso para realizar um tratamento.
Infelizmente doença não tem nada de bom, gera sofrimento e na neurologia muitas limitações.
Todos queremos ser felizes! Queremos ver nossos filhos felizes!
Ver um filho sofrendo é quase uma morte para uma mãe.
Seu filho não tem o direito de decidir, ele depende de você !
Seja firme e se possível doce, mas nunca omissa.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sono de Qualidade






O sono merece toda a nossa atenção.
Durante o sono nós descansamos o corpo e a mente.
Durante a maior parte do sono estamos descansando o corpo, mas nosso cérebro está funcionando.
Nossos sonhos, onde misturamos coisas aparentemente sem sentido, é um período de intensa atividade cerebral.
Atualmente temos especialistas do sono, neurologistas que se dedicam apenas ao estudo do sono.
As pessoas acham que é um processo simples: ficamos sonolentos, dormimos e acordamos.
Nada disso!
Existem várias fases do sono e vários distúrbios do sono.
 A polissonografia é o exame solicitado para se estudar o sono. O paciente vai dormir uma noite na clinica, ou seja no laboratório do sono.
Neste exame é visto a respiração, os movimentos e as ondas cerebrais durante todo o sono.
Será visto o ronco, o ranger de dentes (bruxismo), pequenas pausas na respiração, além de diversas outras alterações possíveis.
Precisamos dar ao nosso cérebro o descanso necessário, um sono adequado em quantidade e qualidade.
Caso exista alterações do sono o paciente vai apresentar sintomas na noite, mas também durante o dia.
Todo mundo sabe que após uma noite mal dormida ficamos sonolentos, irritados e sem paciência. É fácil perceber a dificuldade que temos em realizar nossas funções diárias.
Fácil para quem tem uma noite mal dormida, mas para quem dorme mal todos os dias não.
Quem dorme mal todas as noites não consegue perceber o padrão da normalidade, acha que o que possui de atenção e humor é o normal.
Na infância podemos ter crianças mais agitadas, desatentas durante o dia.
Muito comum apresentar baixo rendimento escolar, a sonolência diurna não é muito comum.
Na infância as causas respiratórias são as mais encontradas, tipo rinite alérgica e hipertrofia de adenoides.
No adulto encontramos diversas causas mas a obesidade é um fator importante.
No bebê muitas vezes precisamos ensiná-lo à dormir, pois não possui um padrão de sono-vigília bem estabelecido. Dorme de dia e deixa os pais acordados à noite.
A presença de ronco é um sinal de alerta para se procurar o especialista.
Não é normal roncar, e principalmente na infância.
Temos muitos problemas com as crianças para fazer elas dormirem, é necessário estipular horário para dormir.
A criança vai dormir tarde e tem que acordar cedo para escola, com isso possui quantidade insuficiente de horas de sono.
Durante a consulta os pais vão receber orientações sobre higiene do sono e será solicitado o exame, se o neuropediatra achar necessário.
Em todas as crianças com baixo rendimento escolar devemos avaliar o sono.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Água, fonte da vida!



 


Água!
As crianças pequenas bebem muita água, pedem água.
A medida que vão crescendo vão esquecendo deste hábito tão importante.
Na nossa região onde o calor é constante, esse hábito deve ser incentivado.
A água é mais importante nos períodos de menor umidade do ar e com temperaturas elevadas.
Os adultos se esquecem de beber água.
Nas crianças que fazem uso de medicação que será excretada na urina, é importante termos um volume adequado de urina.
Os sucos de frutas, água de coco podem ser usados, apenas os refrigerantes não deveriam estar presentes.
Na verdade  se a criança não tomar refrigerante no inicio da infância dificilmente ele vai gostar do refrigerante numa idade maior. Tudo é hábito!
Durante o tratamento com medicações de uso continuo é importante checar a função renal e hepática.
O remédio controlado é considerado vilão, mas na maioria das vezes é o mocinho.
Quando a família realiza consultas regulares, numa frequência de 3/3 meses, esse aspecto será avaliado pelo seu médico.
As consultas são realizadas para ajustes de medicação, mas também para avaliar o tratamento e evitar efeitos colaterais.
Exames de rotina devem ser solicitados mesmo sem qualquer queixa pelo paciente.
A neuropediatria necessita de adesão ao tratamento, isso significa consultas regulares e uso regular da medicação prescrita.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Remédio Controlado



 


O uso da medicação de forma correta pela familia é um dos fatores mais importantes para o sucesso da tratamento.
A neurologia realiza tratamento prolongados, isso assusta os pais.
De forma geral, os pais levam a criança ao pediatra que prescreve medicação por alguns dias na maioria das vezes.
Tratamento para doenças agudas é breve, mas diante de casos de epilepsia o tempo de medicação será bem maior.
Primeiro ponto, a medicação é o tratamento! Se você parar por algum motivo ( viagem, falta de receita para comprar ) você parou o tratamento.
São medicações de uso continuo, precisam de vários dias de uso regular para obter resultado.
A falha ou ausência da medicação acarreta o uso descontinuado e assim a perda ou redução da eficácia.
Portanto, se a medicação for prescrita de 12/12hs, você pode escolher o horário mas os intervalos terão que ser de 12/12hs. Ou seja, mesmo horário do dia é o horário da noite.
Caso você esqueça de dar a medicação, dê no momento que lembrar e não modifique o horário seguinte. Assim vai retornar ao  estágio de segurança mais rápido.
Caso haja dúvida, como no caso de vômitos pouco tempo depois da medicação, siga sempre a regra :  Melhor repetir a dose do que perder a dose! Repita a medicação!
Comumente pedimos exames de dosagem sérica de medicação, o valor encontrado do principio ativo no sangue.
Isso é feito para auxiliar os ajustes da medicação.
Pacientes com epilepsia refratária usam doses elevadas de medicação, e o exame auxilia mas será analisado em  um conjunto com outros sinais e sintomas para mexer na medicação.
Quando calculamos a dose usamos o peso da criança, porém quanto essa criança absorve da medicação é variável. Uma porção da dose será absorvida e  o restante será eliminado sem ser absorvido.
Somente a porção absorvida pelo organismo fará efeito.
Com a idade a taxa de absorção de uma mesma criança para um mesmo remédio pode mudar.
Sempre obedeça a prescrição médica, não se pode mudar um remédio que era de 8/8hs para de 12/12hs por conta própria.
Cada remédio tem um tempo de ação que seu médico sabe, você não!
Se você está repetindo receita, pode estar usando uma dose errada que não vai proporcionar segurança de efeito.
Os anticonvulsivantes como vários outros medicamentos necessitam ter sua dose ajustada frequentemente na infância, pois existe o aumento do peso e a mudança no metabolismo da substância.
A recusa da criança a medicação costuma ser passageira, porém não podemos ceder.
Colocar remédio em alimentos é uma medida usada pelos pais, porém as vezes inadequada.
Alimentos muito quentes ou ácidos podem alterar a medicação.
Colocar em alimentos volumosos pode dar um imprecisão sobre a dose ingerida.
Pergunte ao seu médico se pode colocar em alimentos e peça sugestões seguras.
A criança deve ser esclarecida, na medida do possível sobre a importância de tomar o remédio.
Sem o compromisso da família com o uso regular da medicação é impossível sucesso terapêutico.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra


terça-feira, 27 de outubro de 2015

AVC na Infância






O AVC mas conhecido como "derrame" pela população ocorre na infância.
Nas crianças não existem os fatores relacionados pela idade, porém várias doenças do sangue ( anemia falciforme ), má formações cardíacas, complicações de infecções bacterianas são causas de AVC.

A criança vai apresentar quadro semelhante ao adulto, e pode entrar em coma e falecer também.
Comumente fica com sequelas, como um lado do corpo mais fraco (hemiparesia).

Precisamos alertar as famílias e procurar a causa desse AVC, descobrindo a causa vamos trabalhar para ele não se repetir.
Exatamente, se repetir!
 Muitas vezes  a criança apresenta uma doença que até o momento do AVC não era do conhecimento da família.
As doenças do sangue ( hematológicas ) podem apresentar seu primeiro sinal com um AVC, e só após o AVC são realizados  exames e o diagnóstico.
Paciente portadores de anemia falciforme possuem risco elevado de AVC, por isso necessitam realizar acompanhamento com especialista para evitar essa complicação.
Crianças com algumas má formações graves do coração fazem uso de medicação anticoagulante para evitar os AVCs.
Ao atender uma criança com AVC realizamos extensa investigação diagnóstica à procura da causa. Pedimos exames de sangue para estudar a coagulação do sangue e sua a viscosidade.
Examinamos o coração por meio de imagem, mas também no seu funcionamento.
São realizados exames para estudar as artérias e veias cerebrais. Se houver uma má formação e não se fizer nada, outro AVC virá em seguida.
Depois do AVC é indicado a fisioterapia para reabilitação. A criança responde muito bem, pois o cérebro jovem se reabilita melhor, mas se acontecer outro AVC?
Na criança temos que evitar o AVC, sim! Mas principalmente evitar os AVCs de repetição!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Depressão na Infância




A depressão, como diversas outras doenças tidas como de adultos, existe na criança.

A família deve estar atenta para perceber a diferença entre uma tristeza passageira do quadro prolongado de tristeza que pode ser depressão.
A criança possui grande labilidade emocional, ainda apresenta episódios de  extremos de tristeza para gargalhadas de alegria em pouco tempo.
Parece estranho, mas é o normal para crianças pequenas. Conforme vão crescendo esta labilidade tende a diminuir.
A atenção deve ser para aquela criança que parece sempre triste, pouco motivada para brincar, sem ânimo para descobrir a vida.
Normalmente a criança coloca esse sentimento para fora, falando que a boneca está triste.
Tristeza não combina com criança, birra sim.
Mas a birra é momentânea, se resolve. Depois a criança esquece, volta a brincar.
Na depressão não, a criança parece doente, fraca, sonolenta, calada.
A família não pensa em depressão, acha que não existe isso na infância.
Infelizmente existe! E infelizmente é a primeira causa de morte em crianças maiores de 4 anos.
Assustador!
Nesta idade a criança não tem noção exata da morte, ela na verdade não quer morrer. Ela quer acabar com a tristeza e descobre a morte. Porém de forma fantasiosa.
Não se deve ter medo, e sim atenção ao caso.
Se a criança fala em morrer, melhor pedir ajuda!
Profissional neurologista ou psiquiatra infantil vão avaliar e te orientar se o caso tem ou não valor.
Mas não menospreze o fato, nem tenha medo de falar sobre o assunto.
Não pense que ao impor limites você vai causar uma depressão, não!
A criança ao ser frustada de sua vontade vai apresentar uma reação de birra ou tristeza, mas momentânea.
 E isso é necessário, a criança precisa crescer, aceitar limites, aprender a lidar com frustrações.
Faz parte do processo de desenvolvimento de personalidade, fortalecimento emocional.
Muitos casos de depressão possuem história familiar e bases reconhecidas pela psiquiatria.

A depressão também é considerada comorbidade do TDAH, pois apresenta maior incidência nesta patologias em relação a população geral.

O que todos queremos é ser Feliz!
As crianças também!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra