Mostrando postagens com marcador controle de crises. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador controle de crises. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Dieta Cetogênica





 

A Dieta Cetogênica força o nosso organismo a retirar da gordura a fonte de energia para seu funcionamento.
O açúcar é retirado totalmente, se houver açúcar nosso organismo vai preferi-lo como fonte de energia. Substituímos por adoçante!
Os carboidratos são reduzidos, portanto pães, massas e biscoitos não fazem parte da dieta.
São oferecidos  alimentos ricos em gordura como fonte de energia. Parece estranho, mas o cérebro funciona muito bem com a gordura como fonte de energia.
Essa dieta não é balanceada, e nem saudável para vários órgãos.
É dieta tratamento! Queremos o efeito anti convulsivo!
Por isso temos que realizar exames pré-dieta para saber se o paciente pode fazer uso desse tratamento.
Durante a dieta esse exames serão  repetidos, para se avaliar principalmente o nível de colesterol sanguíneo e suas consequências.

Por incrível que pareça não observamos grandes aumentos de peso, mesmo tendo como “alimentos chaves” o toucinho, bacon, ovos, maionese e creme de leite.

A adesão ao tratamento é peça fundamental, pois a família tende a ceder aos desejos da criança.
Os alimentos serão calculados, a sua quantidade será pesada  a cada refeição.
Usamos balança digital para conseguir a precisão necessária.
O objetivo da dieta é conseguir que o organismo produza uma substância chamada corpos cetônicos.
Todos nós produzimos corpos cetônicos quando fazemos jejum,  para realizar exames de sangue de rotina.
E esse era o mecanismo  que jejum prolongado  ( do passado ) fazia tão bem aos pacientes portadores de crises convulsivas.

A Dieta Cetogênica tenta manter o paciente em produção continua de corpos cetônicos e com isso o efeito duradouro, obtido por este mecanismo.

Quando conseguimos o controle das crises com a dieta, mantemos o paciente na dieta por cerca de 2 anos.
Neste período se faz de forma gradual a retirada dos medicamentos anticonvulsivantes, desnecessários já que o paciente está sem crises.

A Dieta será seu remédio!

O melhor do tratamento é que após a retirada da dieta a grande maioria dos pacientes se mantém com suas crises controladas. Quando necessário o retorno de anticonvulsivantes sempre acontece  em menor quantidade em relação ao passado.

Existem algumas doenças do metabolismo em que a Dieta Cetogênica será o tratamento mais indicado.

Devido à dificuldade técnica da prescrição e da adesão ao tratamento ainda fazemos muito pouco Dieta Cetogênica.

A minha intenção com esse tema é informar, não indicar a dieta como tratamento.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Crise Generalizada X Crise Focal




O neuropediatra ao atender uma criança
 com crises convulsivas vai escolher o melhor tratamento, a melhor medicação.
Existem diversas medicações no mercado, precisamos escolher a melhor para este paciente.
Um remédio que controla muito bem as crises de um, pode ser péssimo para um outro paciente.
Não existe um remédio ótimo para todos, e nem um péssimo para todos.
E por que o médico escolheu este remédio?
O neurologista leva em conta diversas informações para decidir a sua prescrição.
Levamos em conta a idade, o tipo de crise e EEG inicialmente.
Idade porque alguns medicamentos não são bem absorvidos por crianças pequenas e portanto não será um boa opção.
O tipo de crise é fundamental, todos os remédios já foram estudados. Seu funcionamento e que tipo de crise ele tem sua melhor ação.

Os tipos de crise são divididos em generalizada e focal.

Generalizada quando todo o cerébro é envolvido no momento da crise, a convulsão mais conhecida é generalizada. Quando o paciente perde a consciência e apresenta movimentos pelo corpo inteiro.
Nesta crise o paciente pode perder a urina e apresentar respiração forçada, o que normalmente produz secreção que escorre da boca.

Focal ou parcial, apenas uma parte do cerébro será envolvida. Pode ser vista quando o paciente apresenta movimentos apenas num lado do corpo. Nestes casos o paciente não perde completamente a consciência, e pode lembrar da crise. Pode falar, porém a voz sai de forma arrastada e lenta.

A crise convulsiva de ausência, que foi motivo do último texto, é classificada como generalizada.

Muitas vezes o neurologista precisa da filmagem da crise para analisar e classificar a crise.
É muito comum a crise começar focal e depois se tornar generalizada. Mas para a escolha do remédio é importante saber como começa a crise.
Algumas crises são bem fáceis de se classificar, outras tão dificeis que revemos as filmagem diversas vezes. Uma verdadeira investigação.

O exame de  EEG evoluiu e há algum tempo já existe a opção de realizar um video- EEG, ou seja um EEG filmado. Ele vai documentar a imagem e as ondas cerebrais momento a momento.
Assim elucidamos muitas vezes dúvidas sobre se é ou não crise.

A grande maioria dos paciente possui apenas um tipo de crise, mas muitos paciente possuem vários tipos de crise.
Inicialmente vamos começar com um remédio para controlar as crises, mas não obtendo sucesso as associações vão sendo realizadas.
 Nossos maiores desafios serão os casos que consideramos epilepsia refratária.
Aqui o paciente vai apresentar vários tipos de crise e não responde adequadamente aos remédios. Usam vários remédios e em doses elevadas sem o controle total das crises.

Crise convulsiva não faz bem, é claro!
 Paciente com crises de repetição apresentam atrasos cognitivos.
Uma sequência de ajustes, trocas de medicações, além de tratamentos não medicamentosos serão usados para o controle das crises.
O objetivo maior é oferecer ao paciente a melhor qualidade de vida, pois o que todos queremos é ser feliz!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra