Você sabia que a febre só pode ocasionar convulsão em crianças pequenas?
Isso mesmo, em crianças menores de 5anos a febre pode causar crises convulsivas.
E não precisa ser febre alta, pode acontecer com febre baixa.
Nestes casos na grande maioria existe a história familiar positiva para crises febris.
O neuropediatra deverá solicitar o EEG para confirmar o diagnóstico. O EEG na crise convulsiva febril deverá ser normal, visto que a febre é a causadora da crise.
Estes episódios acontecem pela imaturidade do sistema nervoso em relação ao controle da temperatura.
Caso o EEG apresente alterações epileptiformes a hipótese de crise convulsiva cai por terra.
E a crise deixa de ser classificada como febril e passa a ser classificada como precedida por febre ou em vigência de febre.
Isso muda muito o rumo da medicação e o tempo de tratamento que serão indicados.
Portanto, crise febril possui EEG ( eletroencefalograma ) normal!
Se for anormal por alterações epileptiformes não será mais crise febril, mesmo que tenha acontecido em vigência de febre.
A conduta atual para crises febris apresenta uma tendência para tratar, ficando a opção de medicação intermitente X medicação contínua. Isso porque muitos trabalhos indicam uma maior prevalência de desenvolvimento de epilepsia em pessoas com história de crises febris na infância.
Blog criado para o público geral, fala sobre neuropediatria com linguagem simples e clara. Tem como objetivo deixar a especialidade próxima e ao alcance de todos.
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terça-feira, 7 de novembro de 2017
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Febre causando ou descompensando crises convulsivas!
Durante os períodos febris as crianças, e nos também adultos temos nosso metabolismo alterado.
Existe a perda de apetite, o mau estar geral.
A febre, ou seja o aumento da temperatura ocorre em casos simples, como as viroses e em casos complicados como infecções bacterianas grave.
Em ambas as situações podem causar as crises febris em crianças menores de 5 anos, e descompensar as crises de crianças controladas com o uso de anticonvulsivantes.
Nos casos de Epilepsia a febre descompensa o quadro, não é a causadora.
Isto ocorre porque o metabolismo das drogas usadas pela criança também é alterado.
Por isso, temos que ter cuidados com a febre em crianças maiores se estas possuem crises convulsivas de qualquer tipo.
Não podemos evitar a febre, visto que é um mecanismo de defesa do organismo. Aparece sempre que nosso sistema imunológico encontra-se em atividade de multiplicação de glóbulos de defesa.
Usamos os antitérmicos para controlar este aumento de temperatura e suas consequências indesejáveis.
Nas primeiras 24hs a mãe deve controlar a temperatura com o uso de antitérmicos, meios físicos e aumentar a ingestão de líquidos. Se necessário, intercalar 2 antitérmicos de substâncias distintas.
Lembrando sempre que ao medicar a criança por via oral, este medicamento só terá seu inicio de ação após ser absorvido.
Este tempo de absorção depende muito. Enquanto não for absorvido não haverá sua ação antitérmica e a febre pode continuar a subir.
Aqui o meio físico será importante para o controle da temperatura até o inicio da ação do antitérmico.
Algumas mães se tornam apreensivas com quadros febris curtos ( menos de 24hs ) sem a evolução para qualquer quadro viral ou bacteriano.
A explicação é a eficiência do sistema imunológico que conseguiu debelar o quadro antes mesmo de sua instalação.
Portanto é um sinal de boa atividade imunológica da criança!
Febre é sinal de alerta, mas precisa ser controlada na infância.
Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Crises febris X Crise em vigência de febre
Na convulsão febril, a febre é considerada a causa da
convulsão. Só acontece em crianças menores de 5 anos. Isso porque nesta idade o
sistema nervoso ainda é considerado imaturo.
Nestas crianças realizamos o EEG para confirmar nossa hipótese,
e o EEG é normal. Confirmando que a febre causou a crise convulsiva.
Tipicamente as crises convulsivas são generalizadas e
rápidas, além de não se repetirem no mesmo dia.
Quando demoradas ou focais são monitoradas com mais cuidado pelo
neurologista por estar fugindo ao padrão típico da crise febril.
Já qualquer criança ou adulto que possua epilepsia em seus
diversos tipos pode ter crise no momento da febre, ou seja, crise em vigência de
febre.
A febre aqui não causou a crise convulsiva, apenas
desencadeou o que já existia.
Descompensou o quadro da epilepsia.
E isso é
muito comum, durante quadro febril nosso organismo sofre mudança no seu
metabolismo. Perdemos a fome, aumentamos a sensação de sede, existe um aumento
de diversas substâncias, além de anticorpos e imunoglobulinas.
Uma verdadeira
revolução que pode mudar o metabolismo das drogas usadas para o controle de
crises.
Neste caso a crise terá as características da epilepsia que
a criança já possui, o EEG apresenta as alterações da epilepsia em questão.
Nas crises febris a criança normalmente não possui atrasos,
pois o motivo da crise se relaciona com a imaturidade do sistema nervoso próprio
da idade.
As crises são rápidas e não se repetem facilmente, o que também favorece o curso
benigno.
Existem casos de crises febris
complicadas, demoradas e até evoluindo para status, mas não é a regra, é
exceção.
Tratamos as crises febris exatamente pelo risco de que a
repetição delas possa causar prejuízo e aumento da probabilidade de casos de
epilepsia no decorre da vida.
Já existem trabalhos relacionando a Esclerose Mesial Temporal
com história de crises febris, por isso o uso de tratamento contínuo ou
intermitente nas convulsões febris.
Já nas epilepsias por haver um número muito grande de tipos,
podemos ter ou não atrasos de fala e cognição.
E esses atrasos são variáveis,
de individuo para individuo e se relacionam na maioria das vezes com a
repetição das crises, o número de crises que esta criança teve.
A crise na vigência de febre pode acontecer em qualquer
idade, até mesmo em adultos que já possuam o diagnóstico de epilepsia. Não se
relaciona com imaturidade do sistema nervoso e sim com a mudança do metabolismo
do organismo e das drogas em uso.
Portanto torna-se vital o controle rigoroso da febre em
pacientes portadores de epilepsia, por este ser um fator desencadeante de
crises.
Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra
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