segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Desnutrição infantil X Inteligência







A desnutrição infantil é uma das principais causas de deficiência cognitiva no nosso país.
O processo de mielinização das células nervosas acontece durante o primeiro ano de vida, as células nervosas serão cobertas por uma camada de lipídios, gordura.
Em quadros de desnutrição infantil grave, não existe sobra para compor gordura suficiente para a mielinização.
Este é um período fundamental para o desenvolvimento neurológico.
O tempo não volta atrás, e mesmo se esta criança for recuperada nutricionalmente as marcas permanecem, principalmente na cognição (inteligência).
O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses seria uma forma efetiva para evitar casos graves de desnutrição.
O leite materno oferece todas as exigências do organismo até os 6 meses, a partir desta data outros alimentos devem ser acrescentados para uma nutrição ideal.
Para se ter uma criança saudável e inteligente, é necessário escola de qualidade sim!
Mas antes da educação temos que prevenir anoxia neonatal, desnutrição infantil e mortalidade infantil.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Impor limites! Grande desafio!








É grande o número de consultas por "birras" e comportamento agressivo em crianças por volta dos 3 anos.
Esta idade é o momento aonde os pais precisam estipular limites mais claros, antes dos 3 anos a criança é muito bebê e pouco exigida.
A criança desde 1a6m já deveria receber o "não" e não ter todas as suas vontades atendidas.
Porém a grande maioria dos pais costuma achar a criança muito pequena e incapaz de entender as regras e adiam este processo.
Esta geração atual por decorrência de muitos estímulos se torna também mais resistente aos limites, são mais questionadores.
O choro é a primeira arma usada quando contrariada, este choro pode ser tão intenso que costuma deixar pais inexperientes em pânico.
Associado ao choro pode haver alguma expressão corporal, tipo se jogar no chão ou jogar objetos.
Se você não consegue lidar com firmeza e segurança neste momento a criança começa a dominar as regras, e você se torna refém desde "pequeno imperador".
Lembrem-se aos pais é dada a função de educar, e educar é ensinar o certo e o errado.
Todos os valores de honestidade serão passados pelos pais, mais o educar começa na infância.
Começa ao ensinar a não colocar o pé na cadeira, não jogar as coisas no chão e etc....
Assim começa o processo de educação de uma criança e a formação de sua personalidade.
Ao ceder aos caprichos da criança os pais terão uma personalidade cada dia mais forte para enfrentar, além de um individuo que aprende a manipular as pessoas usando o lado emocional.
A personalidade da criança está que quase completamente formada aos 7 anos!
Por isso, esta idade de 3-4 anos é fundamental para se ensinar a obedecer regras. Em sociedade vivemos sob várias regras.
Quem ama, educa!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Fechamento precoce da " moleira"! E agora?






O crescimento da cabeça do bebê deve ser feito mensalmente pelo pediatra no primeiro ano de vida.
Quando aparece alguma dúvida sobre o crescimento e/ou fechamento da "moleira" o pediatra passa o caso ao neuropediatra.
Estes casos são comuns , mas não graves na maioria das vezes.
A "moleira" costuma fechar por volta de um ano de vida, caso isso aconteça muito antes podemos ter uma doença chamada " Cranioestenose".
Nestes casos o diagnóstico deve ser feito rapidamente, pois em casos de cirurgia obtemos melhores resultados antes dos 10 meses de vida.
As deformidades ocasionadas por este fechamento precoce das suturas ou moleira na maioria das vezes causam prejuízos estéticos. Caso de cranioestenose universal é raro, neste caso em especifico o cérebro ficaria confinado, não permitindo seu crescimento e causando dano cerebral.
As deformidades causadas pelos casos mais comuns, produzem uma deformidade da cabeça por vezes assustadora mas sem associação ao dano cerebral.
É importante ressaltar que as deformidades podem comprometer a auto estima da criança de forma bem importante, por isso os pais devem se informar melhor para permitirem a correção.
A correção é feita por meio de cirurgia, existe na internet tratamentos feitos com o uso de capacetes. Estes capacetes não são muito indicados, pois seus resultados são bem pequenos.
É evidente que a indicação de cirurgia assusta os pais, mas nada melhor que um bom profissional para passar informação e ajudar a medir prós e contras.
Mantenha seguimento mensal com seu pediatra no primeiro ano de vida e em casos de dúvidas procure o especialista.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Autismo e suas estereotipias!



 






O nosso corpo se comunica!
Sua postura revela muito de você, como você coloca os braços ao falar ou movimentos que realiza.
Se esfrega as mãos quando nervoso, se balança os pés na sala de espera e vários outros sinais.
Jogadores de póquer costuma usar óculos para esconder suas emoções, surpresa ou decepção com a carta recebida.
Nas crianças portadoras de TEA talvez por não conseguirem expressar suas emoções por via verbal costumam apresentar essa comunicação corporal exacerbada.
Surgem movimentos repetitivos, chamados de estereotipias.
Costumam realizar quando ansiosos ou em momentos de felicidade e euforia.
Estas estereotipias são muito mal vistas pelos pais e pessoas em geral, chamam atenção e acabam por demostrar as deficiências da criança.
É comum o pedido de medicação para controlar as estereotipias e deixar a criança mais "normal".
É preciso entender que punir, ou controlar as estereotipias é calar um autista. Já que eles usam estes movimentos para extravasar  suas emoções.
As estereotipias ajudam estas crianças, e se "controladas" podem provocar outros comportamentos também inadequados e com prejuízo ao desenvolvimento.
Quando a criança consegue outras formas de expressar seus sentimentos costumam diminuir ou mesmo abandonar as estereotipias.
As terapias vão dar outras opções de expressão e comunicação.
Deixar seu filho com TEA mais normal aos olhos dos outros não vai resolver nada.
Aceitar o diagnóstico, e passar a entender o que ele quer dizer terá muito mais benefícios ao longo prazo.
Criança motivada à descobrir e desvendar a vida acaba esquecendo de realizar as estereotipias.
Melhor enxergar as estereotipias como forma de comunicação corporal, tentar entender o que ela quer expressar.
Criança feliz é criança aceita!


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Seletividade alimentar! Frescura ou doença?

Seletividade alimentar! Frescura ou doença?

Alimentação infantil é uma preocupação de todas as mães.
Queremos oferecer o melhor aos filhos, mas comumente encontramos a recusa das crianças ao novo.
Nas crianças tipicas isso acontece no decorrer do segundo ano de vida.
A história natural é a boa aceitação das papinhas no primeiro ano de vida, ao completar 2 anos a criança começa a rejeitar alguns alimentos.
Como o alimento e o ato de alimentar se relaciona muito ao amor, as mães se sentem muito mal com a rejeição alimentar.
Costumam realizar troca do alimento em questão por outro de boa aceitação. O que não resolve o problema na verdade reforça o comportamento de rejeição. A criança percebe que não precisa comer o que não quer, pois será trocado.
No consultório de pediatria é comum a frase " Meu filho não come nada!"
Na verdade come, e muito mas apenas o que ele escolheu.
É necessário compreender que existem fases de menor aceitação, e que isso é normal.
Desde que você não deixe de oferecer os alimentos rejeitados, a grande maioria das crianças volta a aceitar.
Mas existem casos bem mais difíceis, considerados de hiper seletividade alimentar.
Estes casos podem ocorrer em crianças tipicas mas encontramos em maior número nas crianças com espectro autista.
Já nestes casos a mãe vai precisar de ajuda de profissionais da terapia ocupacional para intervir.
O profissional vai estudar o caso, perceber a textura melhor aceita pela criança e planejar estratégias de ação.
O trabalho costuma ser lento mas com progressos, enquanto o problema não é resolvido seu pediatra pode necessitar usar suplementação com vitaminas.
Uma boa rotina alimentar desde o inicio e a introdução lenta de novos alimentos são fundamentais para uma boa educação alimentar.
Não podemos querer que os filhos comam o que os pais não comem.
O exemplo na mesa é fundamental!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Melatonina no autismo!






Melatonina é uma medicação que a cada dia encontra mais espaço na neuropediatria.
Principalmente nas crianças portadoras do espectro autista, isto se deve a alguns fatores.
A melatonina é um hormônio normalmente liberado pela glândula pineal, possuímos baixa produção durante o dia e alta produção à noite.
Estudos demonstram que nas crianças autista é comum uma inversão nesta ordem de produção, eles apresentam maior produção durante o dia e baixa produção á noite.
Esta peculiaridade pode responder o fato do  alto índice de distúrbios do sono nas crianças autistas.
De 40-80% das crianças autistas possuem dificuldade para dormir, quer seja para pegar no sono ou na interrupção da noite de sono.
Este seria o mecanismo mais importante para responder o distúrbio do sono no autismo, mas também fatores sensoriais parecem estar envolvidos.
No autismo encontramos grande sensibilidade a fatores externos, como o despertar por pequenos ruídos ou mesmo a variações discretas de luminosidade.
A qualidade do sono está relacionado a diversas alterações durante o dia. Precisamos de uma boa noite de sono para o descanso cerebral e melhor desempenho.
As crianças com distúrbios do sono costumam ser mais agitadas e irritadas durante o dia, autistas ou não.
O sono do dia não é semelhante ao sono da noite, crianças que embora durmam bem durante o dia terão prejuízos em relação aos que possuem uma boa noite de sono.
Ainda temos muito a investigar no sono dos autistas e existem vários centros dedicados à pesquisa deste assunto.



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Meditação como tratamento!






A meditação é muito pouco praticada em nosso país, mas é muito comum em outras culturas.
A cada dia descobrimos mais benefícios desta prática, em qualquer idade.
Na vida adulta a meditação pode trazer o controle da ansiedade, a paz interior que tanto procuramos, por exemplo. Está sendo usada para o tratamento de enxaqueca, para controle de hipertensão arterial, para síndrome do pânico e etc...
Mas como meu foco é a infância, e em especial a neuropediatria quero falar da meditação como modo de tratamento nesta área em especifico.
A prática de meditação tem sido usada na abordagem da criança com TDAH com bons resultados.
TDAH, Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade!
Ao meditar a criança começa a organizar melhor seus pensamentos, arrumando de forma coerente e ordenada o conhecimento visto.
Além disso, a criança recebe os benefícios do controle da impulsividade e por consequência aumento de foco na atividade proposta.
O processo de aprendizagem necessita de várias áreas cerebrais e do sinergismos entre elas. Os neurotransmissores liberados durante a meditação facilitam o bom funcionamento de várias regiões.
A mesma paz interior e controle da ansiedade visto nos adultos podem ser de grande valia no processamento de novos conhecimentos pela criança.
Nossa cultura não tem boa receptividade para este tipo de abordagem terapêutica, porém a prática da meditação está conseguindo novos adeptos de forma rápida.
Quando precisamos planejar um tratamento para uma criança com TDAH temos que avaliar a criança como um todo, seu estilo de vida, seu passado acadêmico, seu emocional e tantas outras variáveis em questão.
O uso de tratamento alternativos em associação aos tratamentos clássicos parecem ser uma ótima opção.
Pensem nisso!