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segunda-feira, 9 de abril de 2018

O Espectro Autista!



Esta semana falamos sobre o Transtorno do Espectro Autista.
O Espectro é amplo, existem crianças com quadros tão leves que se torna difícil o diagnóstico. Outros tão graves que saltam os olhos até mesmo a leigos.
Não é necessário nada além da dificuldade de comunicação e interação social para colocar uma criança dentro do Espectro.
Não existe a correlação com deficiência cognitiva, podemos ter criança com deficiência cognitiva ou não.
Existem crianças com QI bem acima da média que estão dentro do Espectro!
Existem crianças cegas dentro do Espectro e muitas outras que não estão.
Existem crianças com sequela neurológica dentro e fora do Espectro.
Não precisamos de dificuldade no olhar nos olhos para estar dentro do Espectro.
Existem várias características possíveis, mas apenas um requisito necessário para o diagnóstico.
Portanto, avaliem a comunicação e interação de seus filhos.
Se vocês não conseguem afirmar que ele não possui dificuldade de comunicação, então ele precisa de uma avaliação com especialista.
Só uma avaliação com o médico especialista confirma ou descarta esta possibilidade.
Profissionais não médicos podem sinalizar este diagnóstico, mas não podem  fechar este diagnóstico.
Estamos começando a ver luz para o tratamento medicamentoso especifico para o autismo, muitas pesquisas estão em andamento e iniciando a ser publicado seus resultados.
E a ação das Associações de Mães de crianças autistas foi determinante para aquisições de direitos.
Estas associações conseguiram o olhar da sociedade, não nós da classe médica!
No momento o tratamento ainda consiste nas terapias de fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia.
As famílias precisam manter esta união e conseguir muito mais centros especializados para o TEA, pois a quantidade não se encontra suficiente para a demanda.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Criança agitada ou hiperativa?



Criança pode ser agitada por diversas causas.
Há algum tempo houve o esquecimento da palavra agitado, e se colocou a palavra hiperativo para descrever todas as crianças agitadas.
Esta substituição de palavras como se fossem sinônimos é usada nas escolas, no dia a dia.
Com isso se distribui diagnóstico para as crianças ao sabor do vento.
É preciso entender que hiperativo se restringe as crianças portadoras de TDAH.
Outras patologias como o autismo ou deficiência cognitiva possuem agitação psicomotora como parte do quadro clinico.
Por isso se torna errado falar que uma criança  autista é hiperativa, esta criança é autista e possui agitação psicomotora associada ao quadro.
Um diagnóstico exclui o outro!
Agora se você esta usando a palavra hiperativo como sinônimo de agitado, esta errando sem perceber.
TDAH não possui autismo e nem deficiência cognitiva.
TDAH são crianças sem atraso de linguagem ou motor, sem alterações cognitivas.
TDAH possui 3 tipos, o tipo desatento, o tipo hiperativo e o tipo misto hiperativo/desatento.
Em todos os casos o QI tem que ser normal e a dificuldade de comunicação social não existe.
Portanto, não use a palavra hiperativo sem critérios.
Se a criança for agitada ou desatenta encaminhe para avaliação com neuropediatra para ser feito o diagnóstico correto, evitando assim muitas confusões.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Por que realizar EEG na suspeita de TEA?

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A realização de EEG (eletroencefalograma) deve fazer parte da investigação dos casos suspeitos de autismo ou TEA.
Muitos pais são resistentes a realização deste exame por não entenderem o motivo, além da necessidade de ser realizado no sono.
Pois bem, é necessário e importante!
O EEG poderá vir normal, mesmo assim este dado será importante.
O EEG não é igual em todos os lugares, houve grande avanço nos últimos anos. ainda existem no mercado clínicas usando máquinas ultrapassadas que deixam passar alterações importantes.
Além da qualidade técnica, o EEG deve ser laudado por profissional capacitado para tal função.
A qualidade do exame mantém restrita relação com a qualidade do diagnóstico!
Na dúvida, peça indicação ao seu neurologista.
Tendo um exame de EEG de boa qualidade em mãos seu neuropediatra pode descartar ou confirmar diagnóstico diferencial para o TEA.
Existem algumas doenças de base orgânica, classificadas como epilepsia que produzem perda progressiva da fala e distúrbios de comportamento facilmente confundidos com TEA.
Além disso, temos trabalhos científicos mostrando que por volta de 70% dos paciente com TEA possuem alterações do EEG.
Caso sejam diagnosticadas alterações de EEG, devem ser tratadas com anticonvulsivantes.
O tratamento na grande maioria das vezes melhora o distúrbio de comportamento, e nos casos específicos (Síndrome de Landau- Kleffener) melhora também a fala.
Portanto, a realização do EEG pode definir a necessidade ou não de medicação anticonvulsivante.
O diagnóstico da Síndrome de Landau-Kleffner (SLK) é impossível sem a realização de EEG.
Nesta síndrome epiléptica existe a perda progressiva da fala e a deterioração do comportamento normal.
Sempre falo que EEG para neurologista é o mesmo que hemograma para pediatra!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Autismo e suas estereotipias!



 






O nosso corpo se comunica!
Sua postura revela muito de você, como você coloca os braços ao falar ou movimentos que realiza.
Se esfrega as mãos quando nervoso, se balança os pés na sala de espera e vários outros sinais.
Jogadores de póquer costuma usar óculos para esconder suas emoções, surpresa ou decepção com a carta recebida.
Nas crianças portadoras de TEA talvez por não conseguirem expressar suas emoções por via verbal costumam apresentar essa comunicação corporal exacerbada.
Surgem movimentos repetitivos, chamados de estereotipias.
Costumam realizar quando ansiosos ou em momentos de felicidade e euforia.
Estas estereotipias são muito mal vistas pelos pais e pessoas em geral, chamam atenção e acabam por demostrar as deficiências da criança.
É comum o pedido de medicação para controlar as estereotipias e deixar a criança mais "normal".
É preciso entender que punir, ou controlar as estereotipias é calar um autista. Já que eles usam estes movimentos para extravasar  suas emoções.
As estereotipias ajudam estas crianças, e se "controladas" podem provocar outros comportamentos também inadequados e com prejuízo ao desenvolvimento.
Quando a criança consegue outras formas de expressar seus sentimentos costumam diminuir ou mesmo abandonar as estereotipias.
As terapias vão dar outras opções de expressão e comunicação.
Deixar seu filho com TEA mais normal aos olhos dos outros não vai resolver nada.
Aceitar o diagnóstico, e passar a entender o que ele quer dizer terá muito mais benefícios ao longo prazo.
Criança motivada à descobrir e desvendar a vida acaba esquecendo de realizar as estereotipias.
Melhor enxergar as estereotipias como forma de comunicação corporal, tentar entender o que ela quer expressar.
Criança feliz é criança aceita!


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Comunicação- Ser um pouco andorinha!






Falar de comunicação é difícil, principalmente se desejo simplificar. Quando perfeita a comunicação se faz naturalmente, sem esforço. Mas quando temos problemas  é muito difícil consertar!
Tropeçamos na explicação. 
Difícil explicar  que a voz não é o fator decisivo para a comunicação.
Para tentar explicar isso há algum tempo uso um modelo comparativo, que vou dividir com vocês aqui.

O ser humano é um ser social, vive em sociedade desde os homens da caverna. Temos indícios de formações de pequenos grupos de indivíduos, desde aquela época.

Na natureza vivenciamos vários modelos animais com as mesmas características. Muitos animais formam grupos para viver.

Sem explicação, vivem assim. Ninguém mandou ou orientou. Acho que é instinto.

Uso um grupo para o meu exemplo: andorinhas!
As andorinhas voam em grupo, realizam um verdadeiro balé no ar. Um espetáculo da natureza.
Não sei muito sobre andorinhas, só admiro.
Acho que elas possuem alguma forma de comunicação para todas irem para o mesmo lado e depois para o outro lado, e assim por diante. Acredito que se cada uma fosse  para um lado nós não teríamos esse espetáculo.

Em contra ponto, vou colocar aqui outra ave que acho linda, a águia!
Adoro a imponência da águia, seu voo rasante em alguns momentos e tão alto em outros momentos. Mas ela não vive em grupo, não voa em grupos.
Também não sei muita coisa sobre as águias! Apenas observo e admiro.
Não considero certo ou errado o jeito de ser de cada animal, apenas observo!

Gosto de explicar aos pais que quando temos crianças com problemas na comunicação, o problema é meio assim:
Eles nasceram andorinhas, mas acham que são águias. Estão muito felizes sendo águias, mas terão que viver num mundo de andorinhas.
Portanto vamos tentar ensiná-los a ser um pouquinho andorinha!


E aqui começa uma longa história....

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra