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domingo, 29 de julho de 2018

Mídia Zero no TEA





Há alguns anos se tornou natural colocar crianças no celular assistindo vídeos.
Não faz muito tempo, os DVDs da Xuxa iniciaram este modelo.
O que chama a atenção é o fato que as famílias colocando crianças ainda bebês para assistir DVDs infantis acham que estão fazendo O Bem, estimulando corretamente seus filhos.
Imenso erro!
Não estão! Os DVDs infantis não estimulam corretamente as crianças, por acaso estão contra indicados em menores de 2 anos.
Abaixo de 2 anos a criança não deveria ser submetida a aparelhos eletrônicos de telas luminosas, pois este estímulo luminoso pode desencadear crises convulsivas devido sua foto estimulação.
Em maiores de 2 anos continuam não sendo indicados para as crianças, pois ao assistir a criança é um mero telespectador.
Não existe interação ou comunicação com o DVD ou celular.
A criança pequena necessita descobrir o mundo e aprender a se comunicar com os demais.
No caso de crianças portadoras do TEA- Transtorno do Espectro Autista recomendamos mídia zero!
Estas crianças já possuem dificuldade de comunicação e interação, ao usar o celular assistindo videos repetidamente os pais estão oferecendo e reforçando a não comunicação.
Ao ser retirado das mídias as crianças portadoras de TEA apresentam sinais de melhora na interação com a família em uma semana.
O celular, DVDs e vídeo games são usados na infância atual, não temos como evitar.
Porém não são estímulos adequados, portanto os pais devem restringir seu uso e não estimular.
Caso seu filho não esteja dentro do TEA, libere poucas horas no uso destas mídias.
Entenda, melhor estimulo para o seu filho é você!
 É brincar com outros e descobrir o mundo!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O Espectro Autista!



Esta semana falamos sobre o Transtorno do Espectro Autista.
O Espectro é amplo, existem crianças com quadros tão leves que se torna difícil o diagnóstico. Outros tão graves que saltam os olhos até mesmo a leigos.
Não é necessário nada além da dificuldade de comunicação e interação social para colocar uma criança dentro do Espectro.
Não existe a correlação com deficiência cognitiva, podemos ter criança com deficiência cognitiva ou não.
Existem crianças com QI bem acima da média que estão dentro do Espectro!
Existem crianças cegas dentro do Espectro e muitas outras que não estão.
Existem crianças com sequela neurológica dentro e fora do Espectro.
Não precisamos de dificuldade no olhar nos olhos para estar dentro do Espectro.
Existem várias características possíveis, mas apenas um requisito necessário para o diagnóstico.
Portanto, avaliem a comunicação e interação de seus filhos.
Se vocês não conseguem afirmar que ele não possui dificuldade de comunicação, então ele precisa de uma avaliação com especialista.
Só uma avaliação com o médico especialista confirma ou descarta esta possibilidade.
Profissionais não médicos podem sinalizar este diagnóstico, mas não podem  fechar este diagnóstico.
Estamos começando a ver luz para o tratamento medicamentoso especifico para o autismo, muitas pesquisas estão em andamento e iniciando a ser publicado seus resultados.
E a ação das Associações de Mães de crianças autistas foi determinante para aquisições de direitos.
Estas associações conseguiram o olhar da sociedade, não nós da classe médica!
No momento o tratamento ainda consiste nas terapias de fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia.
As famílias precisam manter esta união e conseguir muito mais centros especializados para o TEA, pois a quantidade não se encontra suficiente para a demanda.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O brincar!



Em várias atividades podemos avaliar a coordenação e o cognitivo das crianças.
Numa atividade simples como a brincadeira com areia a criança desenvolve a coordenação ao segurar a pá e colocar a areia no baldinho, mas também ao criar formas com a areia podemos ver seu desenvolvimento cognitivo.
O uso de massinhas na pré escola também serve para coordenação e avaliação do cognitivo, pois inicialmente a massinha é apenas espremida ou amassada, com o tempo começa a ser usada para realizar formas geométricas.
Portanto, a criança pequena pode ser avaliada no seu desenvolvimento cognitivo no uso de instrumentos simples e de fácil acesso.
Crianças com atraso cognitivo não sabem brincar, pois o brincar necessita de várias funções cognitivas.
Crianças com Transtorno do espectro autista-TEA possuem interesse restrito ao brincar, repetem o mesmo movimento sem explorar todo o potencial do brinquedo.
A pré escola proporciona estes instrumentos de forma diária e portanto possui um papel importante para desenvolvimento da socialização e de aspectos do desenvolvimento neurológico.
È brincando que se aprende a brincar!
A descoberta do mundo se faz por meio da exploração de texturas e cores e da transformação de materiais.
A capacidade motora da criança evolui gradualmente e de forma coerente.
Muitos pais justificam falhas considerando que a criança não realiza porque não gosta, cuidado com esta afirmação.
Em crianças de risco para atrasos do desenvolvimento peço que sejam colocados na escola de forma precoce, pois deficiências serão visualizadas e iniciado sua capacitação.
Não existe saltos neurológicos, o processo do desenvolvimento é continuo, gradual e coerente.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Por que realizar EEG na suspeita de TEA?

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A realização de EEG (eletroencefalograma) deve fazer parte da investigação dos casos suspeitos de autismo ou TEA.
Muitos pais são resistentes a realização deste exame por não entenderem o motivo, além da necessidade de ser realizado no sono.
Pois bem, é necessário e importante!
O EEG poderá vir normal, mesmo assim este dado será importante.
O EEG não é igual em todos os lugares, houve grande avanço nos últimos anos. ainda existem no mercado clínicas usando máquinas ultrapassadas que deixam passar alterações importantes.
Além da qualidade técnica, o EEG deve ser laudado por profissional capacitado para tal função.
A qualidade do exame mantém restrita relação com a qualidade do diagnóstico!
Na dúvida, peça indicação ao seu neurologista.
Tendo um exame de EEG de boa qualidade em mãos seu neuropediatra pode descartar ou confirmar diagnóstico diferencial para o TEA.
Existem algumas doenças de base orgânica, classificadas como epilepsia que produzem perda progressiva da fala e distúrbios de comportamento facilmente confundidos com TEA.
Além disso, temos trabalhos científicos mostrando que por volta de 70% dos paciente com TEA possuem alterações do EEG.
Caso sejam diagnosticadas alterações de EEG, devem ser tratadas com anticonvulsivantes.
O tratamento na grande maioria das vezes melhora o distúrbio de comportamento, e nos casos específicos (Síndrome de Landau- Kleffener) melhora também a fala.
Portanto, a realização do EEG pode definir a necessidade ou não de medicação anticonvulsivante.
O diagnóstico da Síndrome de Landau-Kleffner (SLK) é impossível sem a realização de EEG.
Nesta síndrome epiléptica existe a perda progressiva da fala e a deterioração do comportamento normal.
Sempre falo que EEG para neurologista é o mesmo que hemograma para pediatra!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Será autismo?





O ser humano é um ser sociável!
É natural se comunicar!
A criança consegue fixar o olhar aos 3 meses de vida, esta será sua primeira forma de comunicação.
Aos 6 meses a criança já usa gestos para chamar a atenção dos pais. Já brinca fazendo caretinhas e piscando olhos.
Essa é uma forma de comunicação.
Este processo ocorre de forma natural e espontânea.
Quando aos 2 anos a criança realiza sua linguagem verbal a aquisição de vocabulário se dá de forma rápida e progressiva.
Se não houver uma linguagem verbal aos 2 anos, está criança possui um atraso de linguagem.
E aqui é importante diferenciar, ela realiza estas outras formas de comunicação?
Ela compreende o que lhe é dito?
Precisamos separar casos simples de atraso de linguagem por hipotonia de musculatura ou falta de estimulo dos casos indicativos do Transtorno do Espectro Autista.
No TEA existe uma dificuldade de comunicação, o grau é bem variável!
A criança pode ou não falar, mas chama atenção a dificuldade de se comunicar.
A dificuldade de entender ordens simples, de falar o que quer.
Precisamos entender que a dificuldade de comunicação pode existir em quem fala, e posso ter crianças sem linguagem verbal que se comunicam perfeitamente.
Nos casos de TEA, não precisa haver deficiência cognitiva. A inteligência  pode ser normal, fato este que dificulta os pais perceberem a deficiência especifica da criança.
O que faz a criança estar dentro do Espectro Autista não sera deficiência cognitiva e sim dificuldade de comunicação.
Precisamos de esforços para diagnosticar de forma precoce os casos leves do Espectro Autista.
Os casos graves onde não existe a linguagem verbal estão sendo encaminhados por volta de 2 anos, o que já é tarde!
Estamos perdendo muito tempo, fazendo diagnostico tarde demais.
Fiquem atentos, brinquem com seus filhos! É assim que vocês podem perceber se existe alguma dificuldade de entendimento por parte da criança.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Atraso de linguagem X Atraso de comunicação





Existe uma diferença sutil entre atraso de linguagem e atraso de comunicação.
A criança desenvolve sua comunicação através da linguagem falada, mas também de outras formas.
É muito comum os pais perceberem o atraso de linguagem, mas não percebem se houver um atraso de comunicação.
Normalmente chegam ao consultório por atraso no vocabulário, percebem que o filho fala pouco para a idade.
você não precisa falar para obedecer comandos simples, mas passa desapercebido.
A criança com atraso de comunicação possui atraso no que fala, mas também atraso no que entende.
Não consegue entender adequadamente o que os pais falam.
O atraso na comunicação social é a principal característica do TEA ( Transtorno do Espectro Autista).
E passa desapercebido!
O apontar é um ato de maior significado para a comunicação do que o levar sua mão ao objeto desejado.
Dentro do TEA existe uma grande diversidade de níveis de dificuldade, quanto mais leve mais difícil será o diagnóstico.
Portanto na dúvida, procure um profissional para ajudá-lo.
O diagnóstico precoce será o melhor aliado para aquisição de habilidades.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

TEA- Transtorno do Espectro Autista





TEA- Esse nome foi elaborado para facilitar o entendimento e corrigir alguns erros que havia na diversidade de diagnóstico desse grupo de pacientes.
Houve uma série no Fantástico com Dr. Dráuzio Varella abordando o tema há algum tempo atrás. Eu gostei muito, mas vejo que a matéria não conseguiu explicar claramente o termo a população.
Colocamos esse diagnóstico quando uma criança possui dificuldade de comunicação social, essa dificuldade pode ser bem leve ou muito grave.
Por isso a palavra Espectro, para incluir todos os níveis.
Para haver dificuldade de comunicação, podemos ter dificuldade da fala ou não!
É possível haver  dificuldade da comunicação porque existe um atraso da linguagem, mas pode haver uma criança que fala, mas não se comunica perfeitamente.
São coisas diferentes. Quando cantamos emitimos a voz, mas não nos comunicamos.
Cantamos por prazer de emitir o som, a melodia. Mas não está associado a comunicação normalmente.
Podemos ter casos graves onde a criança não fala. Nos vários níveis intermediários a criança fala poucas palavras, além dos casos bem leves onde a criança fala tudo.
A ideia principal é a comunicação, não se prendendo na emissão ou não das palavras.
Parece confuso, mas essas crianças para serem classificadas como portadoras de TEA precisam ter dificuldade de comunicação, em qualquer nível.
Quem não fala tem dificuldade de comunicação?
Não necessariamente!
Os mudos não falam, mas só serão classificados como TEA se possuírem associado a ausência da voz a dificuldade de comunicação. Aqueles que se comunicam por outros meios, inclusive na linguagem dos sinais não serão classificados como portadores de TEA.

Já uma criança que canta e repete o que falamos, mas não consegue manter um diálogo simples está dentro do TEA. Porque embora emita palavras não realiza a comunicação.

As crianças não precisam possuir retardo mental para serem classificadas no TEA, podemos ter retardo mental, inteligência normal ou acima do normal. Não é esse fator que inclui a criança neste grupo.

Não foi o retardo mental que as colocou dentro do espectro.

A comunicação pelo olhar pode estar comprometida nos casos graves, mas nos casos leves a criança pode realizar o contato visual de forma adequada.

Aqui eu peço que se lembrem do meu texto já publicado “Comunicação- Ser um pouco andorinha”
Nós nascemos com o instinto da comunicação, nascemos andorinhas. Essas crianças não nascem assim.
O TEA é composto de crianças que por alguma razão (ainda não bem esclarecida pela medicina), não possuem a função de comunicação de forma instintiva e natural.

E o tratamento consiste em conseguir ensinar, o que deveria ser instintivo e natural.

Por isso eu gosto de falar que o tratamento consiste em ensinar a ser um pouco andorinha, para viver num mundo de andorinhas.

Mesmo dificuldades leves comprometem a vida em sociedade, a escolarização e a vida familiar!

Quanto mais cedo se perceber a dificuldade e procurar ajuda melhor será o prognóstico.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra