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segunda-feira, 21 de maio de 2018

O escolher e o decidir são funções cognitivas!




A deficiência cognitiva  esta presente em diversas patologias da neuropediatria, como por exemplo: síndromes genéticas diversas, anóxia neonatal, crises convulsivas refratárias e etc...
Em diversos casos não poderemos tratar a causa e sim trabalhar as dificuldades do paciente.
Assim as terapias de reabilitação são fundamentais para se conseguir explorar o potencial de cada um.
Pois todos possuem potencial, não aqueles desejados pela família, mas o seu potencial.
Uma criança trabalhada em equipe multiprofissional terá maior independência e desenvolvimento do que uma criança com a mesma deficiência, porém sem tratamento.
Mas existe um aspecto que quero chamar atenção neste texto!
Estas crianças necessitam de comandos, elas por si só não conseguem realizar uma função tão fácil para as demais.
Explico melhor: estas crianças não conseguem inventar brincadeiras, não conseguem desligar a TV e resolver montar um quebra cabeça ou mesmo um jogo mais simples de montar.
A decisão, o comando do que vamos fazer é uma função cognitiva.
As crianças típicas decidem se queremos assistir TV ou se agora querem pintar, ou desenhar, ou brincar de carrinho.
Ou seja, decidem o que vão fazer quando estão em casa no seu tempo livre, e mudam de uma atividade para outra com facilidade.
Já nas crianças com deficiência cognitiva este "decidir" esta prejudicado, não sabem por vontade própria ter esta iniciativa.
Precisam de comandos, alguém oferece uma atividade e acompanha esta atividade.
Por isso, deixar crianças com deficiência cognitiva em casa sem a atenção que necessitam é um grande erro, e fruto dos diversos distúrbios de comportamento.
Estas crianças devem ter seu dia ocupado com diversas atividades, necessitam deste comando.
A escola dá este comando, pois a professora esta sempre pontuando o que será feito: pintura, parquinho, música, dança e etc...
Como são crianças com grande dificuldade de aprendizado os pais não percebem este fator na escolarização, já que estão ligados no aprendizado.
Com o passar da idade a inclusão escolar vai ficando mais difícil e os pais não enxergam a necessidade de manter a escola.
É necessário manter atividades, pode não ser na escola!
Porém, na sua casa você vai oferecer a TV, o celular e brinquedos achando que vai ficar tudo bem, pois ele vai a escola só para brincar!
Não, ele não vai a escola ou as terapias só para brincar! Ele vai aprender a brincar, aprender no brincar!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Sequelas possíveis na meningite!


Em algumas doenças precisamos ter o pé no chão.
Várias doenças da neurologia deixam sequelas ou seja marcas.
Neste texto quero falar sobre as marcas deixadas pela meningite.
Vejam só: meningite mata!
Ao ser tratada precocemente e corretamente a criança sobrevive, mas pode ficar com sequelas.
As sequelas podem ser vistas logo após a alta, como surdez e incapacidade motora.
Outras sequelas só serão vistas com o decorrer do tempo, como por exemplo a dificuldade escolar proveniente da deficiência cognitiva.
O aprendizado necessita de memória, atenção, raciocínio lógico, concentração ou seja várias funções cognitivas.
Podemos sim ter deficiência cognitiva em graus variáveis por causa de uma meningite e por consequência uma dificuldade escolar.
Esta criança mesmo com esta sequela cognitiva  se leve aprende, porém necessitando de mais repetição.
Se a deficiência cognitiva for de moderada a grave quase não conseguimos aprendizado escolar.
O importante é conseguir que a criança consiga explorar toda sua capacidade.
Qualquer que seja sua capacidade!
Na deficiência cognitiva leve queremos que seja socialmente ativo.
Em deficiências maiores queremos a independência domiciliar.
Diagnóstico não fecha o destino de ninguém, cada pessoa é unica e responde diferentemente aos estímulos.
A família deve estar ciente das dificuldades e conseguir entender que a superproteção não ajuda, apoio é bem diferente de proteção.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Criança agitada ou hiperativa?



Criança pode ser agitada por diversas causas.
Há algum tempo houve o esquecimento da palavra agitado, e se colocou a palavra hiperativo para descrever todas as crianças agitadas.
Esta substituição de palavras como se fossem sinônimos é usada nas escolas, no dia a dia.
Com isso se distribui diagnóstico para as crianças ao sabor do vento.
É preciso entender que hiperativo se restringe as crianças portadoras de TDAH.
Outras patologias como o autismo ou deficiência cognitiva possuem agitação psicomotora como parte do quadro clinico.
Por isso se torna errado falar que uma criança  autista é hiperativa, esta criança é autista e possui agitação psicomotora associada ao quadro.
Um diagnóstico exclui o outro!
Agora se você esta usando a palavra hiperativo como sinônimo de agitado, esta errando sem perceber.
TDAH não possui autismo e nem deficiência cognitiva.
TDAH são crianças sem atraso de linguagem ou motor, sem alterações cognitivas.
TDAH possui 3 tipos, o tipo desatento, o tipo hiperativo e o tipo misto hiperativo/desatento.
Em todos os casos o QI tem que ser normal e a dificuldade de comunicação social não existe.
Portanto, não use a palavra hiperativo sem critérios.
Se a criança for agitada ou desatenta encaminhe para avaliação com neuropediatra para ser feito o diagnóstico correto, evitando assim muitas confusões.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Serão eles incapazes?





Entender a capacidade de cada individuo talvez seja o mais importante!
Todos possuem capacidades, talvez não a desejada pelos pais ou pela sociedade.
Tratar crianças com deficiência como se não possuíssem capacidades é uma das piores coisas que observo.
Os pais após o período de luto, reconhecem a deficiência do filho e colocam ele num local aonde ele deve ficar.
Este local às vezes é o sofá na frente da TV. Acreditam que esta criança ficará lá feliz, sempre!
Ledo engano!
Elas precisam realizar atividades, porém não conseguem ter a ideia.
Não conseguem planejar sozinhas, precisam ser comandadas. Necessitam ser orientadas no que fazer.
O que vemos na prática são crianças que quando pequenas adoram a TV, mas com o passar da idade iniciam distúrbios alimentares e comportamentais.
Na maioria das vezes a causa é o vazio, o não ter o que fazer.
Entendam, eles precisam ser incentivados e orientados a fazer.
Ensinem seus filhos!
Eles aprendem sim!
Criem e eduquem seus filhos para serem felizes, dentro da sua casa.
Quem não tem capacidade de sair de casa, tem capacidade de ser útil e feliz em casa.
Podem ter um horta, horta simples inicialmente, de cheiro verde!
Podem lavar o arroz, ou fazer colagens!
Eu gosto de tudo que produz um produto, e este produto pode ser oferecido.
A felicidade desta criança por ter sido útil para algo é comovente.
Eles querem ser felizes como todos nós, e não encostados num canto da casa.