quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Mastigar é preciso!




Mastigar é preciso!

A musculatura necessita ganhar força, pela mastigação eficiente e pela mordida.

Essa musculatura usada para mastigação é a mesma que será usada para a fala.

Bebê não mastiga muito bem, nem fala muito bem!

Existe uma relação direta entre a mastigação, a fala, o formato da arcada dentária.
A força exercida para a mastigação será importante para o formato da arcada dentária.

Nas crianças com sequela neurológica é muito comum a hipotonia dessa musculatura, e com isso formatos de arcadas estreitos com céu da boca alto!

Elas não trituram alimentos, comem pastoso. Não existe força de mandíbula.

Para se segurar a saliva dentro da boca também necessitamos de força nesta musculatura.

Logo que o bebê consegue mastigar adequadamente ele para de babar!


Se a criança apenas realiza uma prensa suave e a deglutição do alimento quase inteiro, a força conquistada não é suficiente para manter a boca fechada e a saliva deglutida.

Quando olhamos alguém de boca aberta pode acreditar, ele está respirando pela boca!
Mas boca não é órgão respiratório, e o uso dela para esse fim irá ressecar a mucosa e propiciar maior número de amigdalites e viroses.

É necessário avaliar se a criança possui problemas respiratórios no nariz, tipo rinite ou hipertrofia de adenoides. Pois se a criança não consegue respirar pelo nariz ela vai abrir a boca para respirar!
                                                                                                                                                                       Estimule seu filho a comer frutas inteiras, preste atenção se ele realmente mastiga os alimentos antes de engolir.
E cuidado na super proteção! Criança que não chupa laranja para não se sujar, não é normal!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Mitomania- mentira compulsiva!



 


Mitomania é um distúrbio de comportamento de difícil diagnóstico, porque necessita de muito tempo para se perceber.
É a mentira patológica, onde o mentiroso acredita na sua mentira e normalmente não é beneficiado pela mentira.

Diferente da mentira banal, comum nas crianças onde eles mentem para esconder o errado.
A mentira infantil é feita para não assumir a responsabilidade de atos errados.

A mitomania é a mentira compulsiva, cheia de detalhes!
Uma verdadeira fantasia criada sem uma finalidade concreta.

Essas pessoas costumam ter baixa autoestima e se isolar socialmente.

Devemos prestar a atenção no comportamento duradoura das crianças, fases existem e passam.
A fase da mentira existe, mas deve ser corrigida.
Os pais devem mostrar que é errado, e não justificarem como sendo uma fase.

Se não houver a transmissão de valores adequados o que era uma fase restrita poderá se incorporar a personalidade da criança.
A responsabilidade dos pais é imensa, pois a criança está formando sua personalidade que ficará para o resto da sua vida.
É papel da família transmitir valores, corrigir erros de conduta e distorção de valores.

Educar significa ensinar o certo, portanto corrigir o que está errado.
É trabalhoso e desgastante, cansa!

Se você não ensinar o seu filho o que é certo? Quem vai fazer?

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra
 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Importância da pintura para a coordenação das crianças!






A letra da criança demonstra sua coordenação motora fina que começa a ser trabalhada com a pintura e depois com o desenho livre.

Não vejo os pais darem a valor necessário a pintura, a criança pode fazer de qualquer jeito. Sem respeitar os limites do desenho ou deixando partes em branco.

Quando questionados respondem apenas que o filho não gosta!

Mas quando a escola reclama da letra procuram uma solução mágica, nem percebem a relação.

Não se consegue coordenação motora por meio de remédio, é exercício, prática!

A pintura é importante para se desenvolver a coordenação motora fina que será cobrada na letra.

Começamos a trabalhar a coordenação no Infantil com pintura de dedos, colagem, giz de cera e lápis de cor.
Tudo é evolução! Desenvolvimento de uma habilidade se faz de forma lenta e gradual.

São vários anos para a criança chegar apto para a escrita.
Quando a criança chega no 1 ano sem a coordenação apropriada, sua letra demostra a deficiência.


Aproveite as férias para melhorar a letra do seu filho!
Muito desenho, pinturas e trabalhos com massinha e colagem.

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Auras - nas crises convulsivas!





Na minha formação atendi adultos por um ano, não gostei muito e achava desnecessário.
Hoje percebo a importância,quando atendemos adultos é comum os pacientes relatarem que que algo avisa a eles que a crise está chegando.
Por serem adultos, possuem facilidade e vocabulário para descrever esse algo em detalhes. Coisa que a criança não fará!

Esse algo pode ser de várias formas. 
Sensações, gosto metálico ou amargo, cheiro de flores, sensação de medo ou de euforia.
Quando essa sensação ocorre antecedendo a crise convulsiva, chamamos de aura!
Ou seja, antecede a crise e pode ser visual por meio de alucinações, sensitivas por meio de sensação de medo ou euforia além das auras gustativas e olfativas.

As crianças não relatam muito bem a presença de auras, mas quando a mãe relata que a criança se senta ou chama alguém antes da crise.  Algo avisou que a crise estava para chegar. A aura existiu!

Mas essas mesmas sensações também podem aparecer como sendo efeito colateral das medicações. Por ser efeito colateral não possuem relação temporal com a crise convulsiva. 

Como já expliquei a presença de efeitos colaterais é variável, pode acontecer ou não.
Alguns remédios podem deixar a boca amarga, podem provocar alucinações, falta de apetite e etc...

A sequência de fatos desde o início da crise, define melhor este sintoma como sendo aura.

Por exemplo, já ouvi um relato de crise onde o paciente via a imagem de uma mulher passando a sua direita quando ele virava o rosto para a direita perdia a consciência e apresentava a crise convulsiva propriamente dita.
Neste exemplo o paciente apresentava uma aura visual, que sempre precedia a crise. Mas só ele poderia relatar, seus acompanhantes não poderiam saber deste detalhe tão importante para o neurologista.

Em outros casos, existe o relato de uma sensação de tristeza misturada a medo que precede a crise, essa aura é muito relatada em adultos.
As crianças não são boas informantes. Portanto presumimos a existência de auras em alguns casos mas não temos detalhes sobre a aura.

Ter ou não ter aura? 

A aura não piora o diagnóstico, quando presente e relatada ajuda o neurologista. Ao  entender o local de inicio da crise eu posso classificar melhor a crise, e escolher a medicação mas apropriada ao caso.

Sensações de confusão mental, agitação, sonolência, dor de cabeça podem ocorrer após a crise, porém não serão classificadas como aura.

Aura antecede a crise!


Cada caso precisa ser avaliado.

O que quero deixar de mensagem é que " Detalhes do início da crise são muito importantes para o seu neurologista."

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

Dúvidas de consultótio!





Com o aumento no número de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) alguns comportamentos infantis viraram um temor.

Toda criança por volta de 1 ano descobre o movimento das portas e por algum tempo vira sua brincadeira. Isso é comum, e não faz diagnóstico de nada.

Porém a criança vai crescer e essa descoberta será substituída por outras.
Assim naturalmente a criança perde o interesse neste abrir e fechar de portas.

No TEA não!
A criança permanece com sua atenção voltada à movimentos repetitivos, não ultrapassa essas etapas com facilidade nem rapidez.


Tudo depende da idade da criança e não é um comportamento isolado que fará o diagnóstico.
A principal característica do TEA é a dificuldade de comunicação, esses outros fatores podem ou não coexistir!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dicas para as férias!



 


Férias é um período para colocar as crianças em contato com novas experiências!
Não precisa ser caro e nem trabalhoso!
Apenas ter ideias criativas!!!
Aqui vão algumas dicas!

1. Procure mostrar aos seus filhos como você brincava, amarelinha, bola de gude, vai e vem ou elástico! São um universo desconhecido dessa geração de tablet e celular.

2. Procure atividades onde a criança desenvolva habilidades, coordenação motora, vocabulário. Fabricação de gibi é ótimo!
A criança escreve  pinta, imagina uma história e no final possui um produto para mostrar!

3. Quem tem praia fácil, deve estimular a prática de esportes ao ar livre. Com regras e espírito de grupo. Aqui jogos com formação de times é o indicado!

4. Quem não tem espaço, a imaginação deve ser o seu ponto forte. Brincadeiras de pistas pela casa, caça ao tesouro, acampamento na sala e etc... Compre cartolina e escolha um tema, a criança fabrica um cartaz para você! Tudo é válido se encantar, se for lúdico.

5. Se for possível coloque a criança para experimentar esportes ou música. Aulas de natação, judô, capoeira, teatro, flauta ou xadrez. Mesmo sabendo que não poderão permanecer após o inicio das aulas. Mas conhecer já abre o horizonte!


O importante é que as crianças voltem das férias tendo vivido!
Não permita que a criança tenha suas férias preenchidas apenas com o vídeo game e internet liberado.
Isso é muito pouco para o seu filho!!!!

Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Efeitos colaterais das medicações!








No meu dia a dia é comum ter que explicar muito sobre efeitos colaterais das medicações.
Os pais possuem muito medo dos efeitos colaterais das medicações usadas na neurologia.

Não vejo ninguém preocupado com o uso das medicações da pediatria, como os antibióticos e anti-inflamatórios.
Mas na neurologia é um desastre. Ficou subentendido que as medicações usadas na neurologia fazem mal a saúde.
Gostaria de tentar corrigir um pouco essa ideia.

Qualquer medicação possui efeitos colaterais possíveis, qualquer uma! Até mesmo o seu inofensivo antitérmico!
Efeito colateral possível, não quer dizer que ele vai existir!
Quando se usa medicação prescrita pelo médico de forma regular e com dose calculada já se diminui o risco dos efeitos colaterais aparecerem.
Na auto medicação é muito mais comum o aparecimento dos efeitos colaterais.

Na neurologia temos efeitos colaterais possíveis em todos os remédios usados. Como em qualquer outra especialidade.
Estatisticamente não existe essa frequência elevada como a população acredita.
O que acontece na neurologia é que o uso das medicações é feito de forma continua, por períodos prolongados o que facilita a ocorrência de efeitos colaterais.
Quando se usa medicação de forma crônica, como anti-hipertensivo também existe a ocorrência maior de efeitos colaterais. Isso não é privilégio das medicações da neurologia.

Esclarecendo esse ponto passamos para outro:

Quando existe um efeito colateral da medicação, precisamos avaliar se esse efeito colateral é importante o suficiente para inviabilizar o uso da medicação.
Às vezes conseguimos manter a medicação mesmo em vigência de um efeito colateral.
Vou citar alguns efeitos colaterais comuns de forma aleatória apenas para ilustrar.
Podemos ter queda de cabelo com o uso de acido valpróico, se a queda for pequena e discreta podemos até manter a medicação.
Mas é evidente que quedas grandes, onde ficam áreas rarefeitas no couro cabeludo com prejuízo estético são indicativas de troca de medicação.

Existem efeitos colaterais transitórios:
Como a sonolência do inicio do tratamento com anticonvulsivantes. Na grande maioria dos casos a sonolência some na segunda semana da medicação.

Outro efeito colateral possível e na maioria das vezes driblado é a queda do apetite que ocorre com o uso de metilfenidato (medicação usada para tratamento de TDAH).  Podemos driblar com o uso descontinuado nos finais de semana e férias.
Mas encontro a perda de apetite sem queda do peso na maioria dos pacientes. Acompanho o peso no gráfico.
É muito comum a mãe queixar dessa perda de apetite, mas ao visualizar o gráfico de peso não há perda de peso e nem mudança na  a curva de crescimento. O que existe é a escolha do alimento por parte da criança!
Porém se a perda de peso existir, com queda na curva do crescimento e prejuízo do estado nutricional da criança, devemos retirar a medicação.


O que quero esclarecer com esse texto é que efeitos colaterais são possíveis, mas não são certos! Queremos o efeito terapêutico quando prescrevemos uma medicação, caso ocorra um efeito colateral vamos avaliar se este inviabiliza ou não nossa medicação prescrita.