Hidrocefalia é o acúmulo anormal do líquor no cérebro.
Todos nós possuímos uma quantidade de líquor no nosso cérebro, quando esta quantidade está aumentada por qualquer que seja a razão ou localização chamamos de hidrocefalia.
Se a quantidade de líquor estiver aumentada, porém sem causar um aumento da pressão intracraniana não haverá prejuízo neurológico.
Se a quantidade de líquor acumulada provocar um aumento da pressão intracraniana podemos ter graves consequências, como por exemplo convulsões e deficiências.
No caso de acúmulo de líquor com aumento da pressão intracraniana se torna necessário a colocação de válvula para dar vazão ao liquor e por consequência queda na pressão intracraniana.
Existem algumas hidrocefalias chamadas transitórias e portanto de caráter benigno, onde fazemos apenas o acompanhamento. Sua resolução se faz de forma natural por volta dos 2 anos.
Quando a hidrocefalia acontece na infância ocorre o aumento da cabeça, pois nesta idade as suturas do crânio ainda não se soldaram. Com este efeito de expansão da caixa craniana o aumento da pressão intracraniana acontece num segundo tempo.
No adulto que já possui suas suturas soldadas a hidrocefalia costuma dar sinais de hipertensão intracraniana mais precocemente.
Dentre os vários tipos de hidrocefalias algumas receberam nomes específicos, tipo o Dandy Walker.
Isto acontece quando estudiosos caracterizam sinais clínicos e radiológicos semelhantes.
No caso do Dandy Walker existe um acúmulo de liquor intracraniano por uma má formação das estruturas da fossa posterior do cérebro.
Neste caso o acúmulo de liquor ocorre em posição específica (4 ventrículo) e existe uma má formação da área entre os dois hemisférios cerebelares.
Dandy e Walker descreveram as características desta má formação com consequente hidrocefalia e tiveram seus nomes homenageados na nomenclatura.
Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra
Para todos nós fazermos xixi é necessário a contração da musculatura da bexiga.
Esta contração é realizada por terminações nervosas, ou seja possui comando no sistema nervoso.
Pacientes com problemas neurológicos possuem flacidez desta musculatura por ineficácia ou mesmo ausência desta inervação.
A esta doença foi dado o nome de Bexiga Neurogênica!
Nestes casos a parede da bexiga se torna flácida e o tamanho da bexiga se torna aumentado.
Com isso não existe o mecanismo correto de micção da urina, existe perda de urina por transbordamento.
A Bexiga Neurogênica proporciona uma facilidade para infecções urinarias de repetição, pois não há o completo esvaziamento da bexiga.
Em decorrência as infecções urinárias de repetição podemos ter complicações renais e aparecimento de cálculos renais.
Paciente neurológicos com Bexiga Neurogênica necessitam de tratamento adequado para prevenção de complicações tardias.
Paciente que possuem sequela de mielomeningocele ou qualquer outra patologia onde a inervação da bexiga foi acometida possuem Bexiga Neurogênica.
A suspeita diagnóstica é feita pelas queixas do paciente como por exemplo perda de urina em pequenas quantidades ou pela história de infecções urinárias de repetição. Exames de urodinâmica vão confirmar este diagnóstico.
O tratamento pode ser medicamentoso ou por técnicas de esvaziamento de urina.
O importante é conseguir manter qualidade de vida e evitar acometimento renal.
Portanto, se tem queixas procure seu médico e faça o diagnóstico.
Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra
Leucomalácia é o termo técnico usado para descrever as alterações encontradas na imagem do cérebro que foram ocasionadas pela falta de oxigênio.
A falta de oxigênio ocorrida principalmente na hora do parto provoca uma alteração estrutural em áreas especificas do cérebro.
Este padrão é muito bem reconhecido nos exames de tomografia ou ressonância do cérebro.
O tamanho da área de leucomalácia vai se relacionar com as sequelas neurológicas encontradas na criança.
Todas as crianças portadoras de Paralisia Cerebral possuem áreas de leucomalácia em seus exames de imagem.
Em sua grande maioria terão por consequência epilepsia, pois as regiões anormais produzirão ondas cerebrais alteradas de caráter epileptogênico.
A família deve ficar alerta, pois em uma criança com sequelas neurológicas fica mais difícil identificar crises parciais.
As crises generalizadas, onde existe movimentação do corpo evidente são facilmente identificadas e relatadas pela família.
O controle de crises é uma prioridade em todos os casos, pois acarretam danos secundários aos pacientes já portadores de sequelas neurológicas.
Anticonvulsivantes não causam atrasos, crises convulsivas causam os atrasos piorando o quadro de quem já possui atraso por outra causa, como por exemplo leucomalácia.
Efeitos colaterais pelo uso de anticonvulsivantes possuem baixa incidência, e devem ser examinados caso a caso.
Não existe cura para leucomalácia, existe tratamento que consiste nas terapias de reabilitação inicialmente.
Infelizmente a sequela neurológica ocasiona neste caso um padrão de hipotonia do tronco com aumento do tônus muscular em braços e pernas. Este padrão facilita diversas deformidades ósseas e articulares que serão avaliadas pelo ortopedista infantil.
O pulmão é o órgão com mais frágil nos pacientes neurológicos, com acúmulo de secreção e recorrentes pneumonias.
Em alguns casos será necessário o acompanhamento do pneumologista pediatra, na grande maioria o seguimento regular com pediatra pode ser o suficiente.
O quadro nutricional necessita de atenção, pois distúrbios de deglutição costumam dificultar a variedade de alimentos oferecidos.
Dra. Cristine Aguiar
Neuropediatra